segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

LIÇÃO 03 - NÃO TERÁS OUTROS DEUSES (Dt 5.6,7; 6.1-6) - 1º TRIMESTRE 2015

Igreja Evangélica Assembleia de Deus – Recife / PE
Superintendência das Escolas Bíblicas Dominicais
Pastor Presidente: Aílton José Alves
Av. Cruz Cabugá, 29 – Santo Amaro – CEP. 50040 – 000 Fone: 3084 1524


LIÇÃO 03 - NÃO TERÁS OUTROS DEUSES - 1º TRIMESTRE 2015
(Dt 5.6,7; 6.1-6)

INTRODUÇÃO
O primeiro mandamento da Lei, além de anunciar a existência de um Único Deus verdadeiro, proíbe terminantemente a idolatria e o politeísmo. Lamentavelmente, a história dos israelitas foi marcada por esta prática pecaminosa, o que provocou a ira e o consequente juízo divino. Estudaremos nesta lição a definição do termo idolatria; suas práticas nos tempos do Antigo e Novo Testamento; veremos porque não devemos adorar a ídolos e as diversas formas de idolatria praticadas ainda hoje no mundo.

I – DEFINIÇÃO DE IDOLATRIA
O Aurélio define idolatria como “culto prestado a ídolos” (FERREIRA, 2004, p. 1067). Teologicamente “a idolatria pode ser considerada também o amor excessivo por alguma pessoa, ou objeto. Amor este que suplanta o amor que se deve devotar, voluntária, incondicional e amorosamente, ao único e verdadeiro Deus” (ANDRADE, 2006, p. 220). “Essa palavra vem do grego, “eidolon” que significa “ídolo”, e “latreuein” que quer dizer “adorar”. Esse termo refere-se à adoração ou veneração a ídolos ou imagens, quando usado em seu sentido primário. Porém, em um sentido mais lato, pode indicar a veneração ou adoração a qualquer objeto, pessoa, instituição, ambição, etc., que tome o lugar de Deus, ou que lhe diminua a honra que lhe devemos” (CHAMPLIN, 2004, p. 206).

1.1 - Antigo Testamento. Quando os israelitas saíram do Egito, com destino a Canaã, Deus lhes deu a Lei (Êx 20; Dt 5), que lhes advertia para que não aprendessem as práticas idólatras dos povos de Canaã (Êx 20.2-4,23; 23.13,24,32; Lv 19.4; 26.1; Dt 7.5,25; 12.3). Após a conquista da Terra prometida, os hebreus não expulsaram completamente os pagãos como Deus havia ordenado (Jz 2.1-3). Isto se tornou um laço para eles, pois aderiram facilmente ao culto idólatra (Jz 2.11; 3.7,12; 4.1; 6.1; 10.6; 13.1). Nos períodos de apostasia, os profetas foram levantados por Deus para advertirem aos israelitas que se abstivessem do paganismo (I Rs 14.9; Is 2.8,9; 57.5; Jr 1.16). Porém, o povo de Deus não os ouviu, e, por isso, experimentaram, o amargo cativeiro (II Rs 17.1-23; II Cr 36.11-21).

1.2 - Novo Testamento. Se a idolatria era combatida com rigor no AT, não foi diferente no NT. O Senhor Jesus condenou o amor à riqueza, que é uma forma de idolatria (Mt 6.24). A recomendação apostólica feita no Concílio de Jerusalém condenou severamente a adoração a ídolos (At 15.28,29). Os apóstolos combateram veementemente o envolvimento dos cristãos com essa prática pagã. Paulo, por exemplo, exortou aos cristãos de Corinto a fugirem da idolatria (I Co 10.14); e condenou a avareza, que também é uma forma de idolatria (Cl 3.5). O apóstolo Pedro e João também condenaram as práticas idólatras (I Pe 4.3; I Jo 5.21).

II – O FASCÍNIO DA IDOLATRIA
Se a Bíblia diz que o ídolo, em si, nada é (Jr 2.11; 16.20; I Co 8.4; 10.19,20) e as imagens de escultura são abomináveis (Is 44.19); pedras de tropeço (Ez 14.3); e vaidades (Jr 14.22; 18.15); por que a idolatria era tão comum ao povo de Israel? Vejamos os dois principais motivos:

2.1 - As nações pagãs que circundavam Israel criam que a adoração a vários deuses era superior à adoração a um único Deus. Noutras palavras: quanto mais deuses, melhor. O povo de Deus sofria influência dessas nações e constantemente as imitava, ao invés de obedecer aos mandamentos divinos, no sentido de se manter santo e separado delas (Js 24.14,15) (STAMPS, 1995, p. 446). Por isso, muitas vezes, Deus advertiu o seu povo. No Decálogo, os dois primeiros mandamentos são contrários diretamente à idolatria (Êx 20.3,4; Dt 5.6-8). Esta ordem foi repetida em outras ocasiões (Êx 23.13,24; 34.14-17; Dt 4.23,24; 6.14; Js 23.7; Jz 6.10; II Rs 17.35,37,38). O Senhor Deus ordenou também a destruição dos ídolos das nações que habitavam na terra de Canaã (Êx 23.24; 34.13; Dt 7.4,5; 12.2,3).

2.2 - Os deuses pagãos não requeriam das nações vizinhas de Israel o tipo de obediência que Deus requeria. Por exemplo, muitas das religiões pagãs incluíam imoralidade sexual religiosa em seus cultos, tendo para isso prostitutas espirituais. Essa prática, sem dúvida, atraía o povo de Israel” (STAMPS, 1995, p. 446). Por isso, muitas vezes, o povo de Israel deixou de servir e adorar ao Único Deus Verdadeiro (monoteísmo) e passou a prestar culto a outros deuses (politeísmo), como podemos ver em (Êx 32.1-18; II Rs 17.7-23; Is 1.2-4; Jr 2.1-9). Por intermédio dos salmistas e profetas, o Senhor Deus não apenas condenou as práticas idólatras, mas, também demonstrou que os ídolos são vãos e inúteis e não podiam garantir a Israel o que eles almejavam (Sl 115.4-8; 135.15-18; Is 44.9-20; 46.1-7; Jr 10.3-5). 

III - FORMAS DE IDOLATRIA



IV - PORQUE NÃO DEVEMOS ADORAR A ÍDOLOS

4.1 - Porque Deus é uno. Apesar de a Bíblia mencionar a existência de deuses estranhos (Gn 35.2); novos deuses (Dt 32.1); e deuses fundidos (Êx 34.17); ela é enfática em revelar o monoteísmo, ou seja, a existência de um Único Deus verdadeiro, que subsiste em três pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo (Mt 3.16,17); e que deve ser o objeto exclusivo do amor e obediência (Dt 6.4; Is 42.8; Mc 12.29,32; Jo 17.3; I Co 8.4,6). Estes e outros textos das Sagradas Escrituras também tornam-se a base da proibição da adoração a outros deuses (Êx 20.2; Dt 5.6-9).

4.2 - Porque Deus é espírito. Sendo Deus um ser espiritual (Jo 4.24), Ele não está sujeito as limitações às quais estão sujeitos os seres humanos dotados de corpo físico. Ele não possui partes corporais e não está sujeito às condições de existência natural. Logo, é impossível que uma imagem possa representar sua glória e majestade. Além disso, Deus é transcendente e insondável, ou seja, Ele ultrapassa a compreensão humana, e, por isso, não pode ser representado por um ídolo feito de madeira, prata ou ouro (Is 40.18,25; 46.5). Por isso, Deus proibiu terminantemente que os israelitas fizessem imagem de escultura (Êx 20.4; Dt 4.15,16; 23-28; 5.8,9).

4.3 - Porque adorar a ídolos é cultuar aos demônios. A Palavra de Deus nos revela que quem oferece sacrifícios aos ídolos, oferece aos demônios (Lv 17.7; Dt 32.17; II Cr 11.15; Sl 106.37; I Co 10.20,21). Por trás das imagens de escultura existem entidades demoníacas que ouvem as preces dos fiéis, e até operam favoravelmente por eles, com o intuito de aprisioná-los cada vez mais na idolatria. Eis o porquê de tantas pessoas pagarem promessas nos denominados “dias santos” e nas festividades dos padroeiros. Satanás, como “deus deste século” (II Co 4.4) tem poder para realizar benefícios físicos e materiais com intuito de enganar as pessoas (Ap 13.2-8,13; 16.13,14).

CONCLUSÃO
A Palavra de Deus proíbe terminantemente a adoração a outros deuses. Este mandamento foi ordenado não apenas no Decálogo, mas, em toda a Bíblia. O povo de Israel não atentou para este mandado divino, e, por isso, sofreu as devidas consequências. Ainda hoje, muitas formas de idolatria são praticadas no mundo, como a angelolatria, mariolatria, zoolatria, além de outras. Mas, jamais devemos adorar ídolos, pois, Deus é Único, é um ser espiritual e quem adora a ídolos, na verdade, está adorando aos demônios. Por isso, o mandamento divino permanece de pé: “não terás outros deuses diante de mim” (Dt 5.7).

REFERÊNCIAS
 STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
 CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de Bíblia, Teoogia e Filosofia. HAGNOS.
 ANDRADE, Claudionor Correa de. Dicionário Teológico. CPAD.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

LIÇÃO 02 - O PADRÃO DA LEI MORAL (Dt 9.9-11; 10.1-5) - 1º TRIMESTRE 2015

Igreja Evangélica Assembleia de Deus – Recife / PE
Superintendência das Escolas Bíblicas Dominicais
Pastor Presidente: Aílton José Alves
Av. Cruz Cabugá, 29 – Santo Amaro – CEP. 50040 – 000 Fone: 3084 1524

LIÇÃO 02 - O PADRÃO DA LEI MORAL - 1º TRIMESTRE 2015
(Dt 9.9-11; 10.1-5)
INTRODUÇÃO
Veremos nesta lição que a Lei que foi dada por Deus tinha os seguintes propósitos: 
(a) prescrever a conduta de Israel; 
(b) definir o que era pecado; 
(c) revelar aos israelitas a sua tendência inerente de transgredir a vontade de Deus e de praticar o mal; e 
(d) despertar neles o sentimento da necessidade da misericórdia, graça e redenção divinas (Rm 3.20; 5.20; 8.2). Ainda estudaremos o que é a “Lei Moral de Deus”, quais os atributos divinos que estão inerentes nela, bem como a natureza e a função desta no AT e, por fim, concluiremos falando sobre Jesus e os Dez Mandamentos.

I - A LEI MORAL DE DEUS
Os Dez Mandamentos foi fruto de uma aliança ou pacto com Deus. O termo “pacto” ou “aliança” em hebraico é de “berit”, e “berit karat” que significa “fazer uma aliança”. Uma aliança é um acordo feito entre duas ou mais pessoas. Por isso, após ouvir os detalhes do pacto, o povo de Israel respondeu com entusiasmo positivo (Êx 19.7,8). Esses mandamentos, dados por Deus a Moisés, no monte Sinai, tornaram-se a base da legislação levítica. “Podemos dizer que as leis morais de Deus são aquelas que são baseadas em sua própria natureza”. O próprio Deus é o padrão absoluto de justiça. Visto que as leis morais refletem sua natureza e caráter, elas são “imutáveis e irrevogáveis”. Visto que a natureza moral do Senhor é permanente e não pode mudar (Nm 23.19; Is 41.4; Ml 3.6; Hb 1.11,12; Tg 1.17), as leis que são baseadas nessa natureza são absolutas. Elas são perfeitas e eternas.

II - ATRIBUTOS DIVINOS APLICADOS A LEI MORAL
A lei moral de Deus é resumida nos Dez Mandamentos (o Decálogo). O número dez nas Escrituras indica plenitude ou completude. Assim, os Dez Mandamentos representam o padrão ético INTEIRO dado à humanidade por toda a Bíblia. Sabemos que a Lei moral de Deus é baseada em seu caráter moral, pois os atributos de Deus são aplicados a essa Lei.
Vejamos:


III – A LEI MORAL COMO PARADIGMA DA LEI CIVIL
Há uma importante distinção entre leis morais e leis civis na Lei de Deus. As morais refletem o padrão da criação e vigorariam mesmo que não houvesse queda ou pecado. Por outro lado, as civís existem por causa da queda. Se não existisse o pecado não haveria necessidade de uma lei civil para punir assassinos, ladrões, malfeitores e etc; haveria somente as leis morais sendo obedecidas perfeitamente por todos os homens, mas não as leis civis, pois não haveria transgressões para se punir. Neste contexto, as leis civís devem ser entendidas como instrumentos instituídos por Deus para que os homens possam, com justiça, lidar com os problemas da transgressão das leis morais (Is 1.23-26; 10.1-2). O Apóstolo João explicou que a exigência do sexto mandamento “Não matarás” (Êx. 20.13) não é somente externa, mas também interna: “Todo o que odeia a seu irmão é homicida”. (I Jo 3.15). Jesus explicou o mesmo em relação ao sétimo mandamento, “não adulterarás” (Êx 20.14), dizendo que: “Todo aquele que olhar para uma mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela” (Mt 5.28). Enquanto as leis morais exigem absoluta retidão, interna e externa, diante de Deus, as leis civís somente estabelecem a obediência externa a alguns aspectos das leis morais.

IV - A NATUREZA E A FUNÇÃO DA LEI NO AT
Notemos os seguintes fatos no tocante a natureza e a função da lei no AT (STAMPS, 1995, pp. 146,147):

• A lei foi dada por Deus em virtude do concerto que Ele fez com o seu povo. Ela expunha as condições do concerto a que o povo devia obedecer por lealdade ao Senhor Deus, a quem eles pertenciam (Êx 24.1-8).
• A obediência de Israel à Lei devia fundamentar-se na misericórdia redentora de Deus e na sua libertação do povo(Êx 19.4).
• A lei revelava a vontade de Deus quanto a conduta do seu povo (Êx 19.4-6; 20.1-17; 21.1—24.8). A lei não foi dada como um meio de salvação para os perdidos. Ela foi destinada aos que já tinham um relacionamento de salvação com Deus (Êx 20.2; Dt 28.1,2; 30.15-20).
• Tanto no AT quanto no NT, a total confiança em Deus e na sua Palavra (Gn 15.6), e o amor sincero a Ele (Dt 6.5), formaram o fundamento para a guarda dos seus mandamentos. Paulo declara que Israel não alcançou a justiça que a lei previa, porque “não foi pela fé” que a buscavam (Rm 9.32).
• A lei ressaltava a verdade eterna que a obediência a Deus, partindo de um coração cheio de amor (Gn 2.9; Dt 6.5) levaria a uma vida feliz e rica de bênçãos da parte do Senhor (Gn 2.16; Dt 4.1,40; 5.33; 8.1; Sl 119.45; Rm 8.13; 1Jo 1.7).
• A lei expressava a natureza de Deus, seu amor, bondade, justiça e repúdio ao mal. Os fiéis israelitas deviam guardar a Lei moral de Deus, pois foram criados à sua imagem (Lv 19.2).
• A lei funcionava como um tutor temporário para o povo de Deus até que Cristo viesse (Gl 3.22-26). O antigo concerto agora foi substituído pelo novo concerto, no qual Deus revelou plenamente o seu plano de salvação mediante Jesus Cristo (Rm 3.24-26; Gl 3.19).

V - JESUS E OS DEZ MANDAMENTOS
Segundo Donald Stamps, a Lei Mosaica admite DIDATICAMENTE uma tríplice divisão: (a) a lei moral, que trata das regras determinadas por Deus para um santo viver (Êx 20.1-17); (b) a lei civil, que trata da vida jurídica e social de Israel como nação (Êx 21.1 — 23.33); e (c) a lei cerimonial, que trata da forma e do ritual da adoração ao Senhor por Israel, inclusive o sistema sacrificial (Êx. 24.12 — 31.18) (STAMPS, 1995, p. 146 – acréscimo nosso). Vejamos uma comparação ao que a Lei dizia e o que Jesus disse:



CONCLUSÃO
Concluímos que a “Lei Moral de Deus” é completa, perfeita, boa, santa e serve para nos conduzir como “aio” ao caminho que nos leva a sermos obedientes e fiéis ao nosso Senhor, e também aprendemos que o próprio Deus é o padrão absoluto de justiça visto que as leis morais refletem sua natureza e caráter e por isso são “imutáveis e irrevogáveis”.

REFERÊNCIAS
• ELISSEN, Stanley. Conheça melhor o Antigo Testamento. VIDA.
• STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
• SOARES, Esequias. Visão Panorâmica do Antigo Testamento. CPAD.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

LIÇÃO 01 – DEUS DÁ A SUA LEI AO POVO DE ISRAEL (Êx 20.18-22,24; 24.4,6-8) - 1º TRIMESTRE 2015

Igreja Evangélica Assembleia de Deus – Recife / PE
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Pastor Presidente: Aílton José Alves
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LIÇÃO 01 – DEUS DÁ A SUA LEI AO POVO DE ISRAEL - 1º TRIMESTRE 2015
(Êx 20.18-22,24; 24.4,6-8)

INTRODUÇÃO
A lição do primeiro trimestre de 2015 tem como título: A Lei de Deus – Valores imutáveis para uma sociedade em constante mudança, onde teremos a oportunidade de estudar treze lições baseadas nos Dez Mandamentos. Nesta primeira lição, definiremos a palavra Decálogo usada acerca dos Dez Mandamentos; destacaremos algumas características da Lei que a faz mais sublime que qualquer outra legislação; e, por fim, veremos cada mandamento e a sua devida explicação e aplicação tanto no Antigo quanto no Novo Testamento.

I – O DECÁLOGO: OS DEZ MANDAMENTOS
Essa palavra vem do grego “deka” dez e “logos” palavra, ou seja, “dez palavras”. “Esse é um titulo usado para indicar os Dez Mandamentos. Esses mandamentos, dados por Deus a Moisés, no monte Sinai, tornaram-se a base da legislação levítica. Uma das mais duradouras legislações de todos os tempos. Em sua forma mais familiar, esses mandamentos acham-se em Êxodo 20:2-17. O decálogo é mais que um código de leis. Antes, é a base do pacto teocrático (governo de Deus) que separou o povo de Israel como um veículo do favor divino, como um elemento através do qual a mensagem espiritual haveria de ser transmitida. Os inúmeros preceitos que aparecem em seguida, governando cada aspecto da vida diária, ensinam-nos que Deus está atento a todos os aspectos da nossa vida. Esse elaborado sistema tinha o intuito de governar a vida física dos israelitas, mas também tinha funções educativas. O próprio decálogo estabelece alguns princípios perfeitamente éticos, cuja aplicação pode ser vasta e abrangente” (CHAMPLIN, 2004, pp. 25,125 – acréscimo nosso).

II – CARACTERÍSTICAS DA LEI

2.1 Origem divina (Êx 20.1). Embora muitas vezes a Lei do Senhor dada através de Moisés seja chamada de Lei de Moisés (Js 8.31; I Rs 2.3; Ed 7.6; Lc 2.22;24.44; I Co 9.9); o registro do capítulo 20 do livro do Êxodo nos mostra que Deus é a origem da Lei. “Durante todas as negociações entre israelitas e egípcios, quando os primeiros eram escravos dos últimos, o papel de Moisés era, antes de mais nada, o de mediador. Deus não falou com Faraó, mas mandou Moisés lhe falar. Ele continuou nesse papel durante a Páscoa “Falai a toda a congregação de Israel” (Êx 12.3) e o êxodo “Fala aos filhos de Israel” (Êx 14.2). No Sinai, sua função continuava sendo a de transmitir a palavra de Deus ao povo “Estas são as palavras que falarás aos filhos de Israel” (Êx 19.6). Por outro lado, na revelação do Decálogo esse aspecto foi omitido. Moisés ouviu juntamente com o povo, ao qual Deus falou de modo direto (Êx 20.1). Essa é uma forma de a Bíblia nos dizer que, quando lemos o Decálogo, estamos frente a frente com a excelência da vontade de Deus para seus seguidores, no que diz respeito a estilo de vida e compromisso moral. Observe a sequência aos Dez Mandamentos: “eu falei convosco desde os céus” (Êx 20.22), não do Sinai (HAMILTON, 2007, p. 215 – acréscimo e grifo nosso).

2.2 Princípios imutáveis (Êx 24.12). A Lei foi escrita em tábuas de pedra pelo próprio Deus. “Nos países orientais, a pedra simbolizava a perpetuidade da lei, ali contida. As tábuas de pedra estavam escritas em ambas as faces, indicando quão completa era aquela legislação. Subsequentemente, as tábuas de pedra foram guardadas no lugar sagrado do tabernáculo, salientando o ato e a importância da revelação divina” (CHAMPLIN, 2004, p. 125).

2.3 Objetivos definidos. Todo o povo precisa ter leis, e até as tribos mais primitivas contam com sua legislação, formal ou informal. Com o povo de Israel não podia ser diferente. Deus revelou sua Lei para os israelitas no Sinai (Êx 20.1,2). A Lei era necessária por pelos menos três motivos:

2.3.1 Proporcionar uma norma moral para os redimidos. A Lei revelava a vontade de Deus quanto a conduta do seu povo (Êx 19.4-6; 20.1-17) e prescrevia os sacrifícios de sangue para a expiação pelos seus pecados (Lv 1.5; 16.33). A Lei não foi dada como um meio de salvação para os perdidos. Ela foi destinada aos que já tinham um relacionamento de salvação com Deus (Êx 19.4; 20.2) a fim de instruí-lo na vontade do Senhor, para que pudesse realizar o propósito de Deus (Êx 19.6). Logo, a revelação foi dada “não para dar, mas para orientar a vida” (Lv 20.22,23).

2.3.2 Demonstrar a natureza e o caráter de Deus. A Lei expressava a natureza e o caráter de Deus, isto é, seu amor, bondade, justiça e repúdio ao mal, e sobretudo que o Deus de Israel é Santo (Lv 11.44,45; 19.2; 20.7,26; 21.8). A Bíblia denomina Deus de “santo” (Sl 99.3). Ele é chamado de o “Santo de Israel” no (Sl 89.18); e, no livro do profeta Isaías, aproximadamente trinta vezes (Is 1.4; 57.15). A santidade é uma característica da própria natureza de Deus, e não somente expressão de um procedimento santo. Ele mesmo diz: “Eu sou santo” (Lv 19.2; Sl 99.6,9; I Pe 1.16).

2.3.3 Mostrar à humanidade seu estado pecaminoso e revelar que só pela graça podemos ser salvos. O apóstolo Paulo disse que “nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado” (Rm 3.20). Ela não fôra dada como um meio de se alcançar a salvação, mas “nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados” (Gl 3.24). A palavra grega traduzida por “aio” é “paidagõgos” que significa “instrutor”, “professor” e indica um escravo, cuja tarefa era cuidar de uma criança até que ela chegasse a idade adulta. A Lei serviu de aio para mostrar os nossos pecados e nos conduzir a Cristo (Gl 3.25).

III – OS DEZ MANDAMENTOS E SUA INTERPRETAÇÃO
Constituindo-se na essência do Pentateuco, o Decálogo é a mais perfeita das leis escritas. Vejamos na tabela abaixo quais os princípios morais dos Dez Mandamentos ensinados no AT e reafirmados no NT:


CONCLUSÃO
Após a saída do Egito o povo de Israel recebeu no Sinai a Lei do Senhor a fim de andar de forma agradável aos seus olhos. Assim como Israel, Deus nos resgatou do cativeiro do pecado e nos presentou com a Sua Palavra a fim de guiarmos a nossa vida segundo a sua perspectiva. Os princípios morais do Decálogo são imutáveis, e, portanto servem tanto para Israel como para a Igreja.

REFERÊNCIAS
 CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia. HAGNOS.
 HAMILTON, Victor P. Manual do Pentateuco. CPAD.
 HOFF, Paul. O Pentateuco. VIDA.
 STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

LIÇÃO 13 – O TEMPO DA PROFECIA DE DANIEL (Dn 12.1-4; 7-9,11-13) - 4º TRIMESTRE 2014

Igreja Evangélica Assembleia de Deus – Recife / PE
Superintendência das Escolas Bíblicas Dominicais
Pastor Presidente: Aílton José Alves
Av. Cruz Cabugá, 29 – Santo Amaro – CEP. 50040 – 000 Fone: 3084 1524

LIÇÃO 13 – O TEMPO DA PROFECIA DE DANIEL - 4º TRIMESTRE 2014
(Dn 12.1-4; 7-9,11-13)

INTRODUÇÃO
Em Daniel, capítulos 10-12, o profeta recebe a revelação dos últimos acontecimentos com a nação de Israel. A nação escolhida fará um acordo de paz por sete anos com o Anticristo - o chifre pequeno (Dn 7.8). Na metade do tempo proposto, o Anticristo desencadeará uma grande perseguição contra o povo judeu. Todavia, Deus protegerá os fiéis. Nesta lição destacaremos o cuidado divino com o Israel fiel durante esse período turbulento; veremos informações sobre a Grande Tribulação; e, ainda pontuaremos como se dará a conversão  dos judeus durante a angústia de Jacó.

I – O CUIDADO DIVINO COM ISRAEL DURANTE A GRANDE TRIBULAÇÃO
“As profecias de Daniel até 11.35 podem ser com relativa facilidade relacionadas a acontecimentos da história antiga, os quais lhes deram cumprimento, mas, a partir daí até o final do capítulo 12, não encontramos qualquer correspondência com a história passada, pois dizem respeito a eventos que ainda estão porvir” (GILBERTO, 2010, p. 62 – acréscimo nosso). O capítulo 12 do livro de Daniel inicia mostrando que Deus dará proteção ao remanescente judeu:

1.1 Proteção espiritual (Dn 12.1). Deus protegerá o seu povo remanescente através do arcanjo Miguel no período sombrio da Grande Tribulação. “Este ser angelical é citado nas Escrituras como um anjo guerreiro; seu nome significa: “Quem é semelhante a Deus?”. Ele é sempre citado em conexão com a guerra (Dn 10.13,21; 12.1; Ap 12.7). Em Dn 10.13,21, ele é apontado como o anjo guardião da nação de Israel (Dn 12.1). Miguel é o chefe, o comandante, o capitão dos exércitos celestes, em oposição as hostes espirituais das trevas. A expressão o “Arcanjo” designa algum altíssimo poder angelical, dotado de autoridade sobre larga área, celestial ou terrena; “arcanjo” ou “arca”, como já ficou demonstrado, sugere um “anjo comandante”, principal e poderoso” (SILVA, 1986, p. 195 – grifo nosso). “Miguel não só aparece num momento especifico, mas há um tempo em que ele será ativo, um período que coincidirá com a época do Anticristo (Dn 11.45). Miguel também se levantará quando o Anticristo começar sua carreira (Dn 11.36), ou, mais provavelmente, no meio da carreira do Anticristo, quando ele volta sua atenção para a terra gloriosa (Dn 11.41). Ele está pronto para lutar, pois é um momento crítico para Israel. O agente de Satanás, o Anticristo, está prestes a desatar o mais horrendo genocídio jamais experimentado na história da humanidade” (TOKUNBOH, 2010, p. 1038 – grifo nosso).

1.2 Proteção física (Dn 11.41). Tanto o profeta Daniel como João o escritor do livro do Apocalipse nos mostram que, durante o tempo da Grande Tribulação haverá uma área demarcada por Deus, diante da face do destruidor, que ele não terá acesso. Esta área servirá de “refúgio” para o seu povo: o remanescente. “Tanto no Antigo como no Novo Testamento, esse lugar de “refúgio” tem vários nomes: 

(a) O lugar preparado por Deus (Ap 12.6); 
(b) O refúgio (Is 16.4); 
(c) O quarto (Is 26.20); e, 
(d) O isolamento (SI 55.5-8). 

Na simbologia profética, isso significa “o deserto dos povos” (Ez 20.35). Será, sem dúvida, o que está depreendido do presente texto: “Edom e Moabe, e as primícias dos filhos de Amom”. Esses países serão os únicos a escaparem da influência do Anticristo. Essa região será demarcada por Deus naqueles dias sombrios da Grande Tribulação e servirá de “refúgio perante a face do destruidor” (Is 16.4). O monte Sião será também demarcado (Ob v.17; Ap 14.1). Todos esses lugares acima mencionados se transformarão no “deserto de Deus”, preparado para a “mulher” (o Israel Fiel) durante a época da Grande Angústia (Sl 60.8-12; Is 16.4; 26.20; 64.10; Jr 32.2; 40.11; Ez 20.35; Dn 11.41; Os 2.14; Mt 24.36; Ap 12.6,13-17) (SILVA, 1986, pp. 222,223 – acréscimo e grifo nosso).

II – QUANDO E COMO SERÁ A GRANDE TRIBULAÇÃO
A Bíblia nos diz que o Anticristo aparecerá logo após o Arrebatamento da Igreja (II Ts 2.6). Ele proporá a algumas nações e a Israel um pacto de sete anos “E ele firmará aliança com muitos por uma semana” (Dn 9.24-a). Todavia, após o término da primeira fase do seu governo (três anos e meio), o Anticristo irá se voltar contra Israel, rompendo a aliança de paz que havia feito com os judeus por sete anos e desencadeará uma grande perseguição contra este povo e sua religião “e na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oblação; e sobre a asa das abominações virá o assolador, e isso até à consumação [...]” (Dn 9.27-b; cf. Dn 7.25).

2.1 A grande tribulação (Dn 12.1-b). É a “provação a que sera submetida a descendência de Israel durante a Grande Tribulação. A expressão usada pelo profeta Jeremias nos dá uma ideia desse momento difícil: “Ah! porque aquele dia e tão grande, que não houve outro semelhante! É tempo de angústia para Jacó; todavia, há de ser livre dela” (Jr 30.7). Angústia fala de um aperto sem referências, quer na história sagrada, quer na história secular do povo de Deus. É o sofrimento dos sofrimentos! (ANDRADE, sd, p. 21 – acréscimo e grifo nosso). Em Marcos 13.19, Jesus acrescenta ainda mais informações. Eis algumas informações sobre este período de tentação que há de vir: 

(a) durará três anos e meio (Dn 7.25; Dn 12.1,7; Ap 11.2; 13.5,6); 
(b) será um tempo de angústia incomparável (Jr 30.7; Dn 12.1; Mc 3.19; Lc 21.25 ) e, 
(c) alcançará Israel e o mundo gentio (Dn 7.24,25; Ap 3.10).

2.2 Haverá salvação durante este período (Dn 12.1-c). É importante destacar que durante o período sombrio da Grande Tribulação “muitos judeus e gentios aceitarão a Cristo no período posterior ao Arrebatamento da Igreja, mas serão martirizados. Em Apocalipse 7.1-8, o apóstolo João foi informado de que 144.000 israelitas, 12.000 de cada uma das tribos enumeradas, seriam selados por Deus no decorrer da Grande Tribulação. Em Apocalipse 14.1, eles aparecem sobre o monte Sião. Em Apocalipse 7.9-17, muitos serão martirizados, crentes de todos os países e raças. Estes aparecem triunfantes, nos céus. Eles serão mortos na Terra, durante a Grande Tribulação, pelo ditador mundial, que exigirá que todos o adorem sob pena de morte (Ap 13.15)” (WALWOORD, 2002, p. 240 – grifo nosso).

III – A CONVERSÃO DE TODO ISRAEL NO PERÍODO DA GRANDE TRIBULAÇÃO
Alguns teólogos afirmam que Deus rejeitou para sempre a nação de Israel, que a mesma está debaixo de maldição, e que a Igreja tomou o lugar de Israel no plano e propósito divinos. Consequentemente, essa APLICAÇÃO ERRÔNEA de termos, significaria que a nação judaica está eternamente separada de Deus. Jamais poderá voltar a gozar do favor divino. Mas em Romanos caps. 9 a 11, o apóstolo Paulo claramente revela a restauração da nação e que no plano de Deus o povo judeu ainda será muito abençoado. Israel será por “cabeça das nações e não por cauda” (Dt 28.13).

3.1 Primeira parte (Israel confessa o pecado). “Naqueles dias, os lideres de Israel por fim reconhecerão o motivo de a tribulação ter vindo sobre eles, o que deverá ocorrer por intermédio do estudo das Escrituras, da pregação dos 144.000, das palavras das duas testemunhas. Muito provavelmente, será uma combinação de todos estes fatores, mas os líderes, de alguma forma, dar-se-ão conta do pecado da nação. Embora, no passado, tenham levado a nação a rejeitar o messiado de Jesus, agora farão com que a nação o aceite. A regeneração da nação, portanto, virá através da confissão nacional. Então, toda a nação será salva, cumprindo a profecia de Romanos 11.25-27. “Todo o Israel” significa exatamente isto, ou seja, todo judeu que estiver vivo naquele momento. Será o terço sobrevivente dos judeus que estavam vivos no inicio da Grande Tribulação (Zc 13.8-9)” (LAHAYE, 2010, pp. 115,116 – acréscimo e grifo nosso). (Cf. Ez 37.11).

3.2 Segunda parte (Israel clama pelo Messias). “O segundo aspecto que conduz a segunda vinda é a súplica de Israel pela volta do Messias, a fim de salvar a nação dos exércitos do mundo, os quais tencionam destruí-la e encontram-se reunidos nas cercanias de Bozra. A intercessão dos judeus é abordada em muitas partes das Escrituras. Zacarias 12.10-13.1 descreve este evento. O rogo pela volta do Messias não ficará restrito aos judeus de Bozra, mas também se estenderá aos judeus que ainda estiverem em Jerusalém. Eles confessarão o pecado da nação e orarão pelo retorno de Jesus, para que os salve das aflições daquele momento. Clamarão por aquEle a quem crucificaram. Este será o resultado do derramar do Espirito Santo (Zc 12.10), da lamentação de Israel pelo Messias (Zc 12.11-14) e da purificação dos pecados da nação (Zc 13.1)” (LAHAYE, 2010, p. 116). (Cf. 37.9-14).

IV – A SEGUNDA FASE DA SEGUNDA VINDA DE JESUS PARA IMPLANTAR O SEU REINO
A segunda fase da Segunda Vinda de Cristo é conhecida como a “manifestação gloriosa” (veja Tt 2.13), e é descrita em detalhes em Apocalipse 19.11-20. “A Bíblia nos mostra que finalmente chegará o “grande dia do Senhor” e a pedra cairá “nos pés” da estátua (nos dias do Anticristo). Então... “o ferro, o barro, o cobre, a prata, e o ouro, serão esmiuçados como a pragana das eiras, no estio” (Dn 2.34,35; 8.25; 9.27; 11.45; M t 21.44; 2 Rs 2.8; Ap 19.20.) Todos sabemos que este império de ferro tem atravessado séculos e até milênios, mas “chegará ao seu fim” como está predito na “Escritura da Verdade”. Cristo (a grande pedra) como sabemos, não cairá na cabeça (Império Babilônico) da estátua, nem em seu peito (Império Medo-persa), nem no ventre (Império Grego), nem nas suas pernas (Império Romano) compreendendo de 754 a.C. a 455 d.C. Todos sabemos que, quando Jesus veio a este mundo como meigo Salvador, não destruiu o Império Romano, pelo contrário, este poder de ferro o crucificou, e prosperou ainda por cinco séculos. Mas, como já ficou demonstrado acima, chegará o dia em que a pedra cairá “nos pés” da estátua (no Armagedom), e tudo que diz respeito a esse sistema político mundial terminará no vale de Armagedom pelo triunfo de Cristo (Ap 19.11-21)” (SILVA, 1986, p. 226 – acréscimo e grifo nosso).

CONCLUSÃO
Como pudemos ver, a nação de Israel pagou um alto preço por ter rejeitado o Jesus, o Messias. Setenta semanas de anos foram determinadas sobre o povo. Todavia, o povo judeu não foi rejeitado por Deus. Quando o seu povo se sentir acoado pelo Anticristo e seus exércitos no vale do Armagedom, eles clamarão por livramento e o Cristo a quem eles haviam crucificado descerá para lhes proporcionar livramento e implantar o Reino Milenial como anunciado pelos santos profetas.

REFERÊNCIAS
 ADEYEMO, Tokunboh. Comentário Bíblico Africano. Mundo Cristão.
 GILBERTO, Antonio. Daniel & Apocalipse. CPAD.
 LAHAYE, Tim. Enciclopédia Popular de profecia bíblica. CPAD.
 OLSON, Nels Laurence. O plano divino através dos séculos. CPAD.
 SILVA, Severino Pedro da. Daniel versículo por versículo. CPAD.
 STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

 WALVOORD, John F. Todas as Profecias da Bíblia. VIDA.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

LIÇÃO 12 – UM TIPO DO FUTURO ANTICRISTO (Dn 11.1-3,21-23,31,36) - 4º TRIMESTRE 2014

Igreja Evangélica Assembleia de Deus – Recife / PE
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 LIÇÃO 12 – UM TIPO DO FUTURO ANTICRISTO - 4º TRIMESTRE 2014
(Dn 11.1-3,21-23,31,36)

INTRODUÇÃO
O capítulo 11 do livro de Daniel, descreve a quarta e a última visão do conteúdo profético do livro. A visão diz respeito aos reinos que se seguirão sucessivamente até chegar ao governo do Anticristo, prefigurado na pessoa de Antíoco Epifânio, um rei selêucida, que surgiu no período Interbíblico. Veremos nesta lição, o período entre os Testamentos; a ascensão do governo de Antíoco Epifânio; quem foi Antíoco Epifânio e, a semelhança do seu governo com o do Anticristo.

I – O PERÍODO INTERBÍBLICO
O período entre os dois Testamentos foi um espaço de quatrocentos anos, conhecido como Interbíblico ou Intertestamental. Esta época compreende o retorno dos judeus do exílio até o nascimento de Jesus e, é considerado como operíodo do silêncio divino. Contudo, nesta época, acontecimentos proféticos cumpriram-se na íntegra, trazendo o surgimento de um personagem importantíssimo tanto para a história bíblica, quanto para a história secular. “As condições gerais desse período podem ser relembradas sabendo-se que houve quatro tempos distintos em que esses quatrocentos anos podem ser divididos:

(1) o período persa, 430-322 a.C.;
(2) o período grego, 321-167 a.C;
(3) o período da independência,167-63 a.C; e
(4) o período romano, 63 a.C. até Jesus Cristo” (CHAMPLIN, 2013, vol. 5, p. 226 – acréscimo nosso).

II – O SURGIMENTO DO GOVERNO DE ANTÍOCO EPIFÂNIO
Com a queda do Império Persa em cerca 331 a.C., Alexandre o Grande, tronou-se um imponente imperador, conquistando também a Palestina em cerca de 332 a.C. Em cumprimento do que está escrito em (Dn 11.3,4), Alexandre o Grande morreu precocemente no apogeu do seu poder e, o seu reino foi divido e repartido entre quatro dos seus generais, a saber, Cassandro, Lisímaco, Seleuco e Ptolomeu.


Seleuco - Governou a Síria, a Babilônia e a Média (o Reino do Norte); e, 
Ptolomeu - Governou o Egito (o Reino do Sul). A princípio, a Palestina ficou debaixo do controle sírio, mas não muito depois passou para o controle egípcio, ficando assim durante cerca de cem anos, até 198 a.C. Neste ínterim, os selêucidas (o Reino do Sul) reconquistaram a Palestina, e nos anos 175-164 a.C., os judeus foram severamente perseguidos por Antíoco IV ou Epifânio, que estava resolvido a exterminá-los, juntamente com a sua fé em Deus. (CHAMPLIN, 2013, vol. 5, p. 226 – acréscimo nosso).

III – ANTÍOCO EPIFÂNIO NA VISÃO HISTÓRICA E NA VISÃO PROFÉTICA DE DANIEL
 
“Antíoco Epifânio (175 a 164 a.C.); filho de Antíoco o Grande, rei dos selêucidas, do Reino do Norte; governou onze anos e, morreu no ano 164 a.C. Foi o grande perseguidor dos judeus na Palestina. Ele foi em sua geração, o homem mais desprezível, narrado nesta profecia; um tipo do futuro Anticristo,

“[...] o homem do pecado, o filho da perdição” (2Ts 2.3);” (SILVA, 1986, p. 211 – acréscimo nosso). “Antíoco tentou incorporar os judeus em seu programa de helenização, ou seja, implantar nos judeus a cultura grega; mudando suas leis, proibindo o culto e os costumes religiosos deles sob pena de morte” (CHAMPLIN, 2013, vol. 1, p. 194 – acréscimo nosso). Abaixo destacamos informações bíblicas a respeito deste homem.

3.1 “Depois se levantará um homem vil...” (Dn 11.21a).
“Antíoco Epifânio é apresentado como um homem vil, alguém em quem não se pode confiar; um aquinador e um impostor. É o ‘pequeno chifre’ citado no livro de Daniel 8.9-27. Ele é chamado de o Anticristo do Antigo Testamento e, é visto prefigurando o Anticristo do fim dos tempos” (ADEYEMO, 2010, p.1037 - acréscimo nosso).

3.2 “[...] ao qual não tinham dado dignidade real...” (Dn 11.21b).
“Antíoco Epifânio não estava na linha da sucessão, mas tornou-se rei por manipulação, traição e lisonjas, isto é, a política usual. O trono deveria ser de Demétrio Soter, filho e sucessor direto de Seleuco IV Filopater, o atual rei do Reino do Norte, que segundo a profecia morreu “sem ira e sem batalha” (Dn 11.20), envenenado por Heliodoro, seu irmão de criação.” (CHAMPLIN, 2001, vol. 5, p. 3423). “Demétrio Soter, estava sendo mantido refém em Roma. E com o trono desocupado, Antíoco usurpou o trono e assumiu o poder na Síria” (MACARTHUR, 2010, p. 1095 – acréscimo nosso).

3.3 “[...] mas ele virá caladamente...” (Dn 11.21c, 24).
A expressão “caladamente” no texto revela a sagacidade deste tirano. “Antíoco Epifânio era um pensador hábil e um orador habilidoso, cujas guerras com palavra eram tão eficazes como suas guerras com armas. Gostava de valer-se de traições, lisonjas e truques. A palavra hebraica para as lisonjas é 'halaqlaq'que tem o sentido básico de 'esperteza suave' (CHAMPLIN, 2001, vol. 5, p. 3423 – grifo nosso). “Conforme a descrição dos escritos antigos, Antíoco Epifânio às vezes fugia secretamente da corte e ia para cidade disfarçado, fazendo amizades com os estrangeiros mais desprezíveis que visitavam o país. Ele praticava os caprichos mais esquisitos, levando alguns a acreditar que fosse um imbecil e, a outros que fosse um louco” (HENRY, 2010, p. 897 – acréscimo nosso).

3.4 “E com os braços de uma inundação...” (Dn 11.22).
“Antíoco Epifânio era alguém que sabia falar, mas também era um bom guerreiro. Alcançou êxito em sua primeira ação militar, no momento em que as suas forças militares arrasaram os exércitos egípcios como se fosse uma enchente/dilúvio, uma expressão usada para ataque militar (Dn 9.26)” (CHAMPLIN, 2001, vol. 5, p. 3423 – acréscimo nosso).

3.5 “[…] como também o príncipe do concerto” (Dn 11.22).
“Ele encomendou o assassinato do sumo sacerdote de Jerusalém, Onias III, a quem a profecia se refere como príncipe da aliançaque foi morto pelo seu próprio irmão, Menelau, que o traiu, a pedido do próprio Antíoco” (MACARTHUR, 2010, p. 1095 – acréscimo nosso). “Em Daniel 11.28,30 e 32 a palavra 'aliança' ou 'concerto' é usada para se referir ao Estado judeu, que na época era uma teocracia (o Governo de Deus), tendo o sumo sacerdote como seu líder” (ADEYEMO, 2010, p.1037 - acréscimo nosso).

3.6 “[...] seu coração será contra o concerto...” (Dn 11.28,31).
“Na sua viagem para o norte, através de Israel para a Síria com as suas riquezas, Antíoco propagou uma sedição, ou seja, uma sequência de assassinatos bárbaros, roubos, catástrofes. Ele atacou o templo de Jerusalém, colocando no lugar Santo uma imagem do deus grego, Zeus; esse altar a Zeus é o que osjudeus chamam de abominação desoladora; profanou os ritos dos sacrifícios quando ofereceu uma porca no altar do Senhor” (MACARTHUR, 2010, p. 1095 – acréscimo nosso); “os judeus consideravam os porcos imundos (Lv 11.4,7,8); além disso, os sacrifícios eram normalmente feitos com animais machos (Lv 8.18-21). Desse modo, o sacrifício de uma porca foi uma tentativa de sujar e desonrar a religião judaica” (DYER, sd, p.12) . “Antíoco ainda massacrou 80.000 judeus, levou 40.000 como prisioneiros de guerra e, vendeu outros 40.000 como escravos” (MACARTHUR, 2010, p. 1095 – acréscimo nosso).

3.7“E esse rei fará conforme a sua vontade...” (Dn 11.36).
Neste ponto, o autor apresenta um rei que governará “no fimdo tempo” (Dn 11.40). O seu reinado de terror inaugura um ‘tempo de angústia’ sem paralelos na história humana (Dn 12.1; Mt 21.21,29-31)este rei não pode ser Antíoco Epifânio, mas é um personagem perverso e tirânico do fim dos tempos. Esta descrição está em conformidade com a descrição deste personagem, apresentado em outras passagens da Bíblia (Dn 7.8-11,20-27; 2 Ts 2.3,10; Ap 13.4-8; 19.19-20), e foi aceita por toda a História da Igreja (por exemplo, Crisóstomo, Jerônimo, Teodoreto e Lutero) (DEFESA DA FÉ, 2010, p.1363).
 
IV – SEMELHANÇAS DO GOVERNO DE ANTÍOCO EPIFÂNIO COM O GOVERNO DO ANTICRISTO

“Aqui, as histórias dos dois “anticristos” são colocadas de costas uma para a outra, não simplesmente por ênfase, mas porque ambas envolvem o ódio aberto contra Deus e a perseguição aos judeus, à plataforma de ambos os governos se assemelham.” (ADEYEMO, et al, 2010, p.1037 - acréscimo nosso).


CONCLUSÃO

Como podemos ver, Antíoco Epifânio prefigura o Anticristo que há de vir. Assim como este perverso imperador perseguiu os judeus com roubos, assassinatos, profanando o sagrado e com tantas outras catástrofes, semelhantemente, o Anticristo, o homem do pecado, perseguirá os judeus, cometendo as maiores atrocidades, a fim de destruí-los, mas assim como Antíoco Epifânio foi extirpado, o Anticristo com o seu governo também será, pois o Senhor, que é o Rei dos Reis e Senhor dos Senhores, destruirá o Anticristo pelo assopro da sua boca e pelo esplendor da sua vinda (2 Ts 2.8).

REFERÊNCIAS

ADEYEMO, Tokunboh. Comentário Bíblico Africano. MUNDO CRISTÃO.
Bíblia de Estudo Defesa da Fé. CPAD
Bíblia de Estudo MacArthur. SBB.
CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de Bíblias, Teologia e Filosofia, vol. 1. HAGNOS.
CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de Bíblias, Teologia e Filosofia, vol. 5. HAGNOS
CHAMPLIN, R. N. O Antigo Testamento Interpretado: Versículo por versículo, vol. 5. HAGNOS.
HENRY, Matthew. Comentário Bíblico Antigo Testamento. CPAD.
SILVA, Severino Pedro da. Daniel versículo por versículo. CPAD.
STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

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