segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

AS PORTAS DO INFERNO NÃO PREVALECERÃO CONTRA A MINHA IGREJA (Mateus 16.18b)

AS PORTAS DO INFERNO NÃO PREVALECERÃO CONTRA A MINHA IGREJA
(Mateus 16.18b)



Todos - As portas do inferno não prevalecerão contra a minha Igreja!

1 - Desde muito tempo, Satanás e suas hostes tentam, sem sucesso, acabar com o povo de Deus.
2 - Foi assim no Jardim do Éden, quando desfrutávamos das delícias proporcionas por Deus ao homem.
3 - Após a queda do Homem no jardim do Éden, o arqui-inimigo dos filhos de Deus, aproveitando-se da natureza caída, tentou destruir os homens, incitando os homens contra o seu Criador.
4 - Pois, ele sabia que A Glória de Deus se manifesta contra o pecado, trazendo condenação à humanidade caída e distante.
5 - O SENHOR tomaria medidas punitivas contra aqueles que vivessem uma vida subvertida ao pecado. E é justamente isso que acontece!
6 - A Bíblia nos informa que o gênero humano havia se corrompido e o cheiro fétido do pecado chegara às narinas do Criador.
5 - Assim, O SENHOR decide exercer o seu juízo, dizendo: “Farei desaparecer de diante da minha face o homem que criei”.
4 - Mas, no meio daquela geração depravada e vagante, O SENHOR enxerga um homem. Seu nome era Noé.
3 - Que, no meio daquela mesma geração, mantinha suas vestes limpas. Sua justiça era instrumento de Deus no meio daquela tão grande devassidão.
2 - Ele sendo, por divina revelação avisado e instruído, construiu uma arca, onde poderia escapar sua família e os animais separados para a ocasião do dilúvio.
1 - O SENHOR executa o juízo abrindo as comportas do céu e derrama copiosa chuva sobre a terra, matando a todos os que se encontravam fora da arca.
Todos – Somente aqueles que se encontravam na Arca foram salvos!

1 - Assim, somente oito pessoas foram salvas do dilúvio.
2 - O Plano de Satanás para destruir a humanidade fora frustrado.
3 - Os anos se passam, mas os planos do inimigo de nossas almas não são deixados de lado. Ele haveria tentar muitas vezes frustrar os Planos Maravilhosos do SENHOR.
4 - Mas, por outro lado, O SENHOR não desistira de trazer o homem novamente para sua presença!
5 - Deus levanta um homem da terra de Ur dos Caldeus; seu nome era Abrão. Era avançado em idade, bem como sua esposa, Sarai.
6 - O SENHOR Faze-o sair de sua terra e do meio de sua parentela e Faz-lhe uma grandiosa promessa, dizendo...
Todos - “Farei de ti uma grande nação, te abençoarei e engrandecerei o teu nome. Em ti serão benditas todas as famílias da terra”.

1 - Sarai, mulher de Abrão, era estéril. Deus abre sua madre e, mesmo avançada em idade, concebe e dá à luz um filho, que recebe o nome de Isaque. Isaque cresce, casa-se e gera dois príncipes: Esaú e Jacó.
2 - O SENHOR escolhe Jacó e este gera doze príncipes. E, dentre eles, José, que é mandado para o Egito para preservar a semente de Abraão, seu servo, a quem havia feito a sua promessa.
3 - Israel desce para o Egito. Eram somente setenta e cinco almas, mas, sob a poderosa mão do SENHOR, torna-se um povo numeroso e poderoso. Mas Satanás e o inferno não se contentam com o bom encaminhamento dos Planos do SENHOR e tentam atrapalhar mais uma vez.
4 - Faraó se levanta incitado pelo inferno e manda matar as crianças do sexo masculino, para que a nação não se torne ainda mais poderosa.
5 - É nesse tempo que nasce Moisés, o elemento surpresa de Deus.
6 - Enquanto o inferno tentava abortar o cumprimento da promessa, matando os meninos, O SENHOR colocou Moisés dentro do palácio de Faraó. Era plano do SENHOR que este menino fosse criado versado na arte da guerra.
Todos - Era ele que haveria de guiar e instruir o povo nas Leis e nas guerras do SENHOR durante o Deserto do Sinai.

1 - Israel sai do Egito levando despojos e rumo à Canaã, terra prometida pelo SENHOR aos descendentes de Abraão.
2 - Em pouco tempo deveriam chegar à Canaã, mas, por murmurarem contra O SENHOR, passaram quase quarenta anos só no deserto do Sinai. Era o castigo por tamanha insolência contra aquele que  tirara Jacó do Egito com poderosa mão.
3 - Após esse longo período de juízo, Moisés está prestes a morrer e Israel prestes a entrar a conquistar a Terra que manava leite e mel, quando Moisés escreve o livro de Deuteronômio.
4 - Moisés faz um resumo de tudo que Israel passou pelo Deserto.
5 - Relembrando a Lei e todas as lições ensinadas pelo SENHOR naquele Deserto de serpentes ardentes.
6 - Era a rememoração de todos os atos portentosos do SENHOR!  Mas, no capítulo 18 e versículo 18, Deus diz a Moisés e Moisés repete ao povo, dizendo:
Todos – Suscitar-lhes-ei um profeta do meio de seus irmãos semelhante a ti, em cuja boca porei as minhas palavras, e ele lhes falará tudo o que eu lhe ordenar.

1 - 1.400 anos depois, aproximadamente, O SENHOR cumpre esta profecia.
2 - Em Belém de Judá, numa manjedoura, nasce O Grande Profeta de quem Moisés falara.
3 - Não nasceu num berço de ouro;
4 - Nem nasceu numa família abastada, mas...
5 - Os anjos do céu cantaram na terra...
6 - e Herodes e toda a Jerusalém se alarmaram, pois...
Todos – Nascera no mundo, para resgatar o homem do pecado, O Rei dos Judeus: Jesus Cristo, O Filho de Deus!

1 - A Bíblia nos informa que Herodes, perturbado e enciumado por não querer perder o seu trono, tenta matar Jesus, aniquilando todas as crianças do sexo masculino de dois anos baixo.
2 - Ora, nós sabemos que era satanás que, mais uma vez, tentou frustrar os Planos do SENHOR.
3 - Mas é debalde... O SENHOR não perde nem guerra e nem batalha!
4 - O SENHOR é Onisciente e sabia qual seria o próximo passo no nosso arqui-inimigo para impedir a fundação da Igreja.
5 - Mas a fundação da Igreja estava nos planos, nos pensamentos do SENHOR. E Nenhum dos seus planos pode ser frustrado; nenhum dos seus pensamentos pode ser impedido!
6 - Então, José e sua família, avisados por divina revelação, escapam para o Egito e, após a morte de Herodes, O Grande, voltam e vão morar cidade de Nazaré,...
Todos - Para que se cumprisse a profecia: Ele será chamado Nazareno!

1 - Jesus atinge a idade de 30 anos e é batizado por João Batista no rio Jordão.
2 - Depois dali, ele é guiado pelo Espírito para ser provado no deserto pelo diabo. Ele vence satanás, e assim, inicia a execução do projeto de implantação da sua Igreja na terra.
3 - Começa o ministério Profético de Jesus. A Bíblia nos diz que ele vai para a região da Galileia, passa pela praia e começa a pregar e o Evangelho do Reino, dizendo: Arrependei-vos e crede no Evangelho.
4 - A Bíblia nos diz que Ele era homem poderoso em obras e palavras, diante de Deus e de todo o povo.
5 - Jesus operava milagres extraordinários em suas pregações. Muitos discípulos o seguiam. Ele falava diferente, falava com autoridade divina, de forma que todos se admiravam da sua doutrina.
6 - Essa autoridade fora-lhe dada pelo Pai e era necessária, pois Jesus, através da sua doutrina, estava fincando os marcos da sua Igreja.
5 - Através das suas parábolas, estava revelando segredos ocultos desde a fundação do mundo.
4 - Através da comissão, estava granjeando os membros do seu corpo, que é a Igreja!
3 - Através dos seus milagres, estava demonstrando o poder da sua futura Igreja!
2 - Poder que as doenças não subsistiam...
1 - Poder que os demônios não resistiam, pois...
Todos - Jesus não era somente Profeta. Ele era...

2 - O Messias...
4 - O desejado das nações...
6 - O Rei dos reis...
1 - O Verbo encarnado de Deus...
3 - O fundador da Igreja...
5 - Senhor dos senhores...
Todos – O Filho de Deus!

1 - E esta foi a resposta de Pedro, quando os discípulos foram interrogados.
2 - Jesus Perguntara “quem diz o povo ser o Filho do Homem?
3 - Então, os discípulos começaram a responder que uns diziam que ele era João Batista, Elias, Jeremias e outros, alguns dos profetas.
4 - Mas vós, perguntou Jesus, quem dizeis ser o Filho do Homem?
5 - Pedro, ousado como era...
6 - Tomando a palavra disse: Tu és o Cristo...
Todos - O Filho do Deus vivo!

1 - Ao que lhe respondeu Jesus:...
2 - Bem-Aventurado és tu Simão Barjonas,...
3 - Por que não foi carne e sangue que to revelou,...
4 - Mas meu Pai, que está nos céus!
5 - Também eu te digo que tu és Pedro...

6 - E sobre esta pedra edificarei a minha Igreja...
Todos - E as portas do inferno não prevalecerão contra ela!

1 - Mesmo que satanás e o inferno inteiro queira nos vencer...

2 - Mesmo que eles queiram te matar...
3 - Mesmo que eles queiram te derrubar...
4 - Parar a marcha da Igreja de Cristo...
5 - Ainda que ele tente os planos de Deus na tua vida frustrar...
6 - Mas, se você é Igreja...
Todos – Não temas! Na Igreja ele...

6 - Não pode tocar...
5 - Não pode mexer...
4 - Não pode vencer...
3 - Não arranha...
2 - Nem chega perto!
1 - Pois...
Todos - Tu és noiva, fonte selada, menina dos seus olhos e Ele tem ciúmes de ti!

1 - Então, por que temer?
2 - Se Deus está contigo, Igreja, por que duvidar da vitória?
3 - Por que não adorá-lo neste lugar?
4 - Por que o medo invade tua alma?
5 - Por que temer o futuro?
6 - Por que temer as ameaças do inferno?

Todos – Disse-lhe Jesus: Eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século. As portas do inferno não prevalecerão contra a minha Igreja! Amém!

domingo, 29 de dezembro de 2019

LIÇÃO 13 – A VELHICE DE DAVI – 4º TRIMESTRE DE 2019 (2 Sm 23.1-7)


Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Pernambuco
Superintendência das Escolas Bíblicas Dominicais
Pastor Presidente: Aílton José Alves
Av. Cruz Cabugá, 29 - Santo Amaro - Recife-PE / CEP. 50.040.000 Fone: 3084.1524 / 3084.1543

LIÇÃO 13 – A VELHICE DE DAVI – 4º TRIMESTRE DE 2019
(2 Sm 23.1-7)
INTRODUÇÃO
Na última lição deste quarto trimestre trataremos sobre a importância da velhice na Bíblia; falaremos sobre a fase final da vida de Davi na sua velhice; veremos alguns aspectos da velhice do monarca e a preocupação de Davi com o novo rei; e por fim, notaremos as bênçãos divinas na terceira idade.

I – A IMPORTÂNCIA DA VELHICE NA BÍBLIA
O dicionário define “velhice” como: “estado ou condição de velho; idade avançada, que se segue à idade madura” (HOUAISS, 2001, p. 2838). Estamos num processo de envelhecimento, do qual ninguém poderá escapar (Ec 12.1-7). A velhice não deve ser vista como algo ruim, pois devemos ser gratos a Deus pelo fato de termos vida física longa, o que é um dom, um presente (Pv 20.29). Biblicamente é sinal de bênção chegar a ver os netos (Gn 48,11; Sl 128.6). Na cultura israelita presumia-se que a idade avançada tinha algo a ver com o amadurecimento e a sabedoria (Jó 12.12,13). Os velhos do hebraico “zaqem” eram reconhecidos como o grupo de mais elevada autoridade sobre o povo. Havia um grupo em Israel denominado de anciãos; eles agiam como representantes das nações (Jr 19.1; Jl 1.14; 2.16) e também administravam muitos assuntos políticos e desempenhavam um papel ativo na administração da nação e aplicação da Lei de Moisés (Nm 22.7; Js 22.13-33; Dt 21.18-21). Os velhos da cidade formavam uma espécie de conselho municipal cujos deveres incluíam a função de juízes (Dt 19.12; Nm 11.16-25), conduziam as investigações e inquéritos (Dt 21.2) e resolviam conflitos matrimoniais (Dt 22.15; 25.7). Foram reunidos por Moisés para receber o anúncio da libertação do Egito (Êx 3.16-18). O pacto foi ratificado no Monte Sinai na presença de 70 dos anciãos de Israel (Êx 24.1,9,14; cf. 19.7). A base na organização das sinagogas incluía a figura do ancião (At 11.30; 14.23). Na Igreja Primitiva ocupavam um lugar respeitoso (1Pd 5.5 ver 1Tm 5.1) (PFEIFFER, 2006, pp. 100-101).
II – A VELHICE DO REI DAVI

Davi atingiu a idade de setenta anos (2Sm 5.4). Notemos como se encontrava Davi em sua velhice:
2.1 - As limitações no corpo. Davi, o rei, guerreiro e poeta, atingiu a idade de setenta anos (2Sm 5.4), que, segundo as palavras de Moisés, são o limite máximo da vida e que a velhice trás consigo diversas limitações para o corpo físico (Sl 90.10). Para Davi, ter sido moço e agora ser velho não significava exatamente uma mudança com consequências drásticas. Era apenas uma experiência a mais, uma sequência natural: “Fui moço e agora sou velho [...]” (Sl 37.25). Por mais robusto que seja o ser humano, não poderá escapar às limitações físicas que lhe impõem a terceira idade (Ec 12.1-9). Aparecem a canseira e o enfado (Sl 90.10); a visão perde a sua força (Gn 27.1); e o vigor vai desaparecendo (Gn 17.17). As forças de um idoso não são as mesmas de um jovem (2Sm 19.34-37).

2.2 - As enfermidades. Quando chegou a velhice Davi começou a padecer com as enfermidades. Sentia um frio grande que nem cobertores, podiam lhe aquecer (1Rs 1.1). Vendo isso, os servos de Davi sugeriram que lhe trouxessem uma virgem para que deitasse junto ao corpo de Davi a fim de aquecê-lo (1Rs 1.2,3). A cerca disto afirmou certo teólogo: “a sugestão dos servos para que se buscasse uma jovem para o rei a fim de lhe restaurar a vitalidade perdida e o aquecesse era uma prescrição médica aceita até a Idade Média” (MOODY, sd). Nenhum significado imoral deve ser dado a esta prática, embora em nossa cultura nos pareça um tanto estranha. O próprio texto bíblico acrescenta que Davi não a possuiu como mulher (1Rs 1.4). Abisague serviu de enfermeira prática junto ao moribundo Davi.

2.3 - A aproximação da morte. Com a idade avançada, Davi sentiu estar próximo da morte (1Rs 1.1). Este grande personagem hebreu faleceu e foi sepultado na cidade de Jerusalém. Como Deus havia lhe prometido, concedeu-lhe três grandes bençãos, a saber: (a) o trono de todo Israel: “E foram os dias que reinou sobre Israel, quarenta anos; em Hebrom reinou sete anos, e em Jerusalém reinou trinta e três” (1Cr 29.27); (b) longevidade: “E morreu numa boa velhice, cheio de dias” (1Cr 29.28-a); e, (c) riquezas em abundância: “E morreu numa boa velhice, cheio de dias, riquezas e glória” (1Cr 29.28-b).

III – CONSELHOS DE DAVI EM SUA VELHICE PARA O NOVO REI
Quando Davi sentiu estar próximo da morte em sua velhice (1Rs 1.1), mostrou preocupação com a continuação do governo que Deus lhe conferiu. Sabendo de antemão que dos seus filhos, Salomão era o escolhido para lhe suceder no trono (1Cr 28.6,7), e que edificaria o templo (1Cr 22.9,10), Davi lhe fez diversas recomendações para que o seu governo contasse com a bênção de Deus e fosse próspero (1Cr 28.9,10). Notemos:

3.1 - Conhecer a Deus. Embora as experiencias espirituais de Davi fossem bastante válidas, e, por certo foram narradas para seus filhos e até mesmo presenciada por eles, este servo de Deus reconhece que Salomão tinha que ter a sua própria experiência:“Conhece o Deus de teu pai” (1Cr 28.9). A expressão “conhecer” no hebraico “yada” significa: “conhecer por experiência, relacionar-se”. A falta de conhecimento de Deus foi o maior problema de Israel, como declarou o próprio Deus através de Isaías (Is 1.1-3). É imprescindível que conheçamos a Deus e prossigamos em conhecê-lo (Os 6.3).

3.2 - Servir a Deus. Após exortá-lo a conhecer a Deus, Davi também disse a Salomão que o servisse e orientou quanto a forma: “de coração perfeito e alma voluntária”. A expressão de coração perfeito, no hebraico “shalem” implica um “coração completo, inteiro, todo”. Já a expressão “alma voluntária” fala de buscar com prazer, com amor e não forçado. A orientação de Davi é acompanhada de uma exortação severa para quem não servir a Deus desta maneira (1Cr 28.9-b). Infelizmente com o passar do tempo, Salomão se deixou seduzir pelo pecado e não serviu a Deus como seu pai ordenou (1Rs 11.4).

3.3 - Fazer a obra de Deus. Salomão também recebeu como incumbência de seu pai a edificação do Templo, um lugar fixo de adoração ao Deus vivo. Davi disse a Salomão: “Olha, pois, agora, porque o SENHOR te escolheu para edificares uma casa para o santuário; esforça-te, e faze a obra” (1Cr 28.10). Salomão haveria de realizar algo inédito. Uma grande casa para o Senhor deveria ser construída (1Cr 29.1).

IV – BÊNÇÃOS DIVINAS NA VELHICE DO CRENTE
Temos vários exemplos de servos de Deus que tiveram experiências em sua velhice: Sara e Abraão (Gn 21.1-7); do rei Davi (1Cr 29.27,28); Simeão (Lc 2.25-30); Ana (Lc 2.36-38) etc. A terceira idade é um tempo especial da parte de Deus para que os idosos colham com alegria os frutos das sementes plantadas na juventude: “Na velhice ainda darão frutos; serão viçosos e florescentes” (Sl 92.14). Davi experimentou isso em sua velhice (Sl 71.9,18). A longevidade é um presente dado por Deus: “Dar-lhe-ei abundância de dias” (Sl 91.16). Vejamos o que a Bíblia fala-nos sobre a velhice do crente:

4.1 - A velhice é tempo de experiência. A Bíblia diz que: “Coroa de honra são as cãs [...]” (Pv 16.31-a), a velhice é um símbolo de beleza: “[...] e a beleza dos velhos, as cãs” (Pv 20.29-b). Como diz a Bíblia, a maturidade com o seu modo de ser e de agir não cabe na infância, mas na vida daqueles que já são experimentados (Jó 12.12,13) nos embates da vida material e espiritual (1Co 13.11; Hb 5.13,14). Houve uma certa naturalidade em Samuel quando, já idoso, disse ao povo de Israel: “Já envelheci e estou cheio de cãs...” (1Sm 12.2). A primeira grande bênção do período da velhice é a maturidade, sobretudo quando se floresce plantado na Casa do Senhor (Sl 92.13,14). Duas figuras de linguagem dão a dimensão exata do que isso representa: a palmeira e o cedro. Em ambas vemos a lição de utilidade, perenidade, firmeza e robustez. São assim os que envelhecem seguindo os princípios ditados por Deus: têm raízes profundas, que suportam os ventos da tempestade, são longevos, robustos e de presença acolhedora. Os princípios de vida ensinados na Bíblia levam à maturidade, à prudência e à sabedoria (Is 46.4).

4.2 - A velhice é tempo de frutificação. A terceira idade é a época em que os frutos são colhidos como resultado daquilo que se plantou na infância, na juventude e nos primeiros ciclos da vida adulta (Ec 12.1). Paulo aceitou a consciência de sua velhice, assumiu a sua nova condição, isto é, simplesmente aceitou a realidade dos fatos: “...sendo o que sou, Paulo, o velho...” (Fm 9).No salmo 92.12-14 temos duas importantes lições: (a) saber plantar, isto é, fazer boas escolhas sob a direção de Deus nos verdes anos da juventude é condição essencial para que se faça uma boa colheita no período da terceira idade; e (b) aquilo que colhemos na terceira idade, inclusive certas doenças, é o resultado direto das escolhas que fizemos no tempo da semeadura (Gl 6.7-9). A terceira idade é, também, um tempo de colheita. Esse fato, decorrente de semeadura no passado, implica que a semente plantada cumpra, pelo menos, três fases distintas: brotar, crescer e frutificar. Na promessa do Pentecostes, Deus não se esqueceu dos velhos, ou idosos: “E há de ser que, depois, derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e os vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos mancebos terão visões” (Jl 2.28).

4.3 - A velhice é tempo de ensinamento. Os jovens permaneciam calados diante deles e só falavam quando estavam certos de que os mais velhos nada mais tinham para dizer (Jó 32.6-7). Alguém que chegou à terceira idade após uma boa semeadura ainda tem muito a contribuir nos átrios da casa de Deus e a ensinar aos que o cercam (Sl 71.15-18; Tt 2.2-5). Esta é também uma época de ensinamento (Êx 18.13-27; Pv 23.22). Mostra-nos a história que desprezar o conselho dos mais velhos não é um bom negócio (1Rs 12.6-8). Não é bom reter somente para nós, em nossos celeiros, aquilo que Deus amorosamente nos concedeu durante toda a nossa vida. A menção aos frutos, no Pentateuco, sempre traz implícita essa ideia (Dt 26.1-11 cf. 16.11). Os anciãos que, tanto em Israel quanto na Igreja Primitiva, ajudavam na orientação dos negócios do Reino de Deus (Êx 4.29; 19.7; At 15.2). A Bíblia nos diz que: “Diante das cãs te levantarás, e honrarás a face do velho, e terás temor do teu Deus. Eu sou o Senhor” (Lv 19.32).

4.4 - A velhice é tempo de trabalho. Jacó, aos 147 anos de idade (Gn 47.28) faz a seguinte declaração: “[…] o Deus, em cuja presença andaram os meus pais Abraão e Isaque, o Deus que me sustentou, desde que eu nasci até este dia” (Gn 48.15). Outra área que traz renovação espiritual no tempo da velhice é a do serviço cristão (Lc 2.36-38). Existem muitas áreas de trabalho nas igrejas apropriadas para as pessoas da terceira idade. É óbvio que elas não correrão como as pessoas mais jovens, não terão o mesmo ativismo, mas poderão ter o conhecimento e experiência necessárias para realizarem certas atividades que requerem a maturidade que só os idosos possuem. O povo de Deus necessita da energia dos crentes mais jovens, mas não pode jamais abrir mão da experiência dos santos mais idosos. Lembremo-nos de que Abraão e Sara cumpriram o propósito de Deus na sua velhice (Gn 22.1,2,5), Moisés começou a liderar o povo de Israel com a idade de 80 anos (Êx 7.7; Dt 29.5; At 7.23,30,36); Calebe conquistou Hebrom em plena velhice aos 85 anos (Js 14.12-14); e Davi, o grande rei de Israel, morreu em boa velhice “tendo desfrutado vida longa, riqueza e glória” (1Cr 29.27,28 – NVI).

CONCLUSÃO
A vida física tem começo, meio e fim e a terceira idade não deve ser vista como o fim de uma existência, mas como o início de uma nova etapa na vida do ser humano. Ciente disto, devemos procurar viver de forma agradável a Deus, temendo o Seu nome e realizando a sua vontade. Se procedermos assim, deixaremos um legado para as próximas gerações, de autênticos servos de Deus.

REFERÊNCIAS
ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Dicionário Teológico. CPAD.
CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia. HAGNOS.
HOUAISS, Antônio. Dicionário da Língua Portuguesa. OBJETIVA.
STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

LIÇÃO 11 – AS CONSEQUÊNCIAS DO PECADO DE DAVI - (2 Sm 12.1-15) 4º TRIMESTRE DE 2019


Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Pernambuco
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LIÇÃO 11 – AS CONSEQUÊNCIAS DO PECADO DE DAVI - (2 Sm 12.1-15)
4º TRIMESTRE DE 2019

INTRODUÇÃO
Nesta lição veremos as etapas do pecado de Davi; pontuaremos as sérias consequências de suas falhas, tanto em sua vida como na sua família; e por fim, notaremos quais as fases para consumação do pecado na vida do homem.

I – ETAPAS DO PECADO DE DAVI
A palavra “pecado” significa: “desobediência a qualquer norma ou preceito” (HOUAISS, 2001, p. 2160). Pode ser definido como: “transgressão deliberada e consciente das leis estabelecidas por Deus” (ANDRADE, 2006, p. 295). A palavra hebraica “hatah” e a grega “hamartia” significam: “errar o alvo, falhar no dever” (Rm 3.23). Em um sentido básico pecado é: “a falta de conformidade com a lei moral de Deus, quer em ato, disposição ou estado” (CHAMPLIN, 2015, p. 128). De acordo com a Bíblia, o pecado é algo gradual (Tg 1.14,15). Notemos as etapas do pecado de Davi:

1.1 - A traição. Davi estava no auge do seu reinado quando tragicamente caiu em pecado, vencido pela sua própria paixão desenfreada: “Então enviou Davi mensageiros, e mandou trazê-la; e ela veio, e ele se deitou com ela [...]” (2Sm 11.4). Depois de ter consumado o seu ato pecaminoso (2Sm 11.1-4), Davi, de várias maneiras e durante um bom tempo, tentou ocultá-lo (2Sm 11.8,12). As tentativas foram cada vez mais pecaminosas. Isso sempre acontece com quem tenta esconder seu pecado. A Bíblia diz que “um abismo chama outro abismo” (Sl 42.7; Nm 32.23).

1.2 - A mentira. Primeiro Davi ordenou que Urias viesse da guerra para dar-lhe notícias dela: “Vindo, pois, Urias a ele, perguntou Davi como passava Joabe, e como estava o povo, e como ia a guerra”, em seguida, ofereceu-lhe um presente e deulhe licença para ir a sua própria casa (2Sm 11.6-8), mas, infelizmente, tudo era mentira, engano e logro. O mal não reconhece limites em suas ações, enquanto que o bem atua dentro de limites traçados pela ética e infelizmente Davi esqueceu desta verdade.

1.3 - A maldade. Davi insistiu que Urias permanecesse em casa afim de forjar uma situação e livrar-se de seu pecado. Em noutras palavras reincidiu no mal: “[…] Não vens tu de uma jornada? Por que não descestes à tua casa?” (2Sm 11.10). O pecado traz dois resultados: separa o homem de Deus e produz maus efeitos no mundo (Is 59.1; Rm 8.19-22). O primeiro pode ser cancelado pelo perdão, mas o segundo permanece. Alguém já disse que: “Deus não permite que seus filhos pequem com sucesso”. As consequências do pecado trazem consigo tristeza amarga e profunda (Rm 2.6-11).

1.4 - A astúcia. Davi ofereceu um banquete a Urias com vinho embriagante com o intuito de enganá-lo: “E Davi, o convidou, e comeu e bebeu diante dele, e o embebedou [...]” (2Sm 11.13). Davi só não contava com a lealdade e a sensatez de Urias (2Sm 11.11). Quando o crente procede dessa forma, o julgamento divino o aguarda, pois: “O Senhor não tem o culpado por inocente” (Na 1.3), e “Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará” (Gl 6.7,8). Lembremo-nos da admoestação de Paulo: “Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia” (1Co 10.12).

1.5 - A covardia. Davi enviou uma carta real ao comandante Joabe, através de Urias, onde estava contida a sentença de morte do próprio portador (2Sm 11.14,15; 12.9). Um assassinato covarde de um leal soldado, planejado pelo próprio rei da nação (2Sm 11.16,17). Como Urias era um servo fiel, não violou a carta, pois, se o tivesse feito, veria que estava levando a própria sentença de morte. Davi quebrou o sexto mandamento: “Não matarás” (Êx 20.13); o sétimo mandamento: “Não adulterarás” (Êx 20.14); e o décimo mandamento: “Não cobiçarás” (Êx 20.17).

1.6 - A Insensibilidade. Mesmo sabendo da morte de Urias, seu fiel soldado, Davi friamente mandou dizer a Joabe: “Não te pareça mal aos teus olhos; pois a espada tanto consome este como aquele” (2Sm 11.25). Davi tomou Bate-Seba como sua esposa e se portou tranquilamente como se nada houvera acontecido por cerca de quase um ano (2Sm 12.14,15) com sua consciência cauterizada sem confessar seu pecado e se arrepender dele (2Sm 12.27 ver ainda 1Tm 4.2).

1.7 - A falsa “justiça”. Quando Davi achava que, morto o esposo da mulher com quem adulterara, o seu problema estava resolvido, Deus envia o profeta Natã para confrontá-lo (2Sm 12.1-25). É comum alguém que pecou e não tratou de forma devida o seu pecado projetar um sentimento de “justiça” e uma falsa santidade perante os outros (2Sm 12.5,6). Geralmente ele exige dos outros aquilo que ele mesmo não fez e cobra santidade, requer compromisso, exige dedicação, no entanto, nega com a sua prática a eficácia desses valores (Mt 7.3-5; 23.13-33). É comum desculparmos em nós mesmos aquilo que com veemência condenamos nos outros. Há situação em que o estado de cauterização da consciência é tão grande que somente um encontro com Deus é capaz de fazer cair as escamas dos olhos e expor as misérias humanas.

II - CONSEQUÊNCIAS DO PECADO DE DAVI
Consequência é “algo produzido por uma causa ou conjunto de condições; efeito, resultado, ferimento, sequela, inferência, ilação” (HOUAISS, 2001, p. 807). O pecado, uma vez consumado, deixa suas consequências deletérias, ainda que seja perdoado por Deus (Lm 3.39). O pecado de Davi trouxe consequências, algumas imediatas, e outras, a longo prazo: “Agora, portanto, a espada jamais se apartará da tua casa [...]” (2Sm 12.10). Deus perdoou seu servo e lhe preservou a vida. Porém, ele pagou um alto preço pelo seu erro. Uma lição deste episódio é a imparcialidade da justiça divina, bem como as riquezas de sua misericórdia. Vejamos algumas consequências dos pecados de Davi:

2.1 - Consequências emocionais. Os especialistas advertem que há muitas doenças psicossomáticas, isto é, doenças da alma ou de origem psicológica que afetam diretamente o corpo (Sl 32.2-5; 39.10,11; 51.8). Os resultados do pecado de Davi podem ser vistos primeiramente em sua vida sentimental e emocional: “Já estou cansado do meu gemido; toda noite faço nadar a minha cama; molho o meu leito com as minhas lágrimas” (Sl 6.6). O pecado causou feridas profundas na alma de Davi e alguns de seus salmos retratam seus infortúnios (13.2; 22.11; 25.16-18,22; 38.2-3; 41.4,8). A idade em que morreu cerca de setenta anos (2Sm 5.4; 1Rs 2.10,11) debilitado como estava, talvez tenha muito a ver com as angústias e frustrações de sua alma (1Rs 1.1).

2.2 - Consequências espirituais. Não há dúvida de que os efeitos do pecado de Davi também estão na esfera espiritual: “Não me lances fora da tua presença, e não retires de mim o teu Espírito Santo. Torna a dar-me a alegria da salvação [...]” (Sl 51.11,12). A Bíblia nos mostra que há também doenças de origem espiritual: “Depois Jesus encontro-o no templo, e disse-lhe: Eis que já estás curado; não peques mais, para que não te suceda alguma coisa pior” (Jo 5.14). Paulo adverte em sua primeira carta aos coríntios: “Por causa disso [do pecado], há entre vós muitos fracos e doentes e muitos que morrem” (1Co 11.30). Tiago aconselha: “Confessai as vossas culpas uns aos outros e orai uns pelos outros, para que sareis [...]” (Tg 5.16). Davi pôs em prática isso e clamou ao Senhor: “[…] Tem piedade de mim; sara a minha alma, porque pequei contra ti” (Sl 41.4).

2.3 - Consequências físicas. O pecado também trás consequências no corpo do pecador (Sl 38.3-9). Tanto Davi como Bate-Seba estavam cientes das implicações de seu erro (Lv 20.10). Após pecar Davi ouviu um dos mais duros julgamentos pronunciados pelo profeta Natã (2Sm 12.10-14). O julgamento atingia não somente sua vida física, mas também incluiria seu reino e sua família (2Sm 12.18). A sentença que Davi pronunciou tinha base na Lei (Êx 22.1), e isso mesmo ele experimentou na pele, pois ele sentenciou que o homem da parábola, que tomou a ovelha do outro deveria pagar quatro vezes mais: “[…] tornará a dar o quadruplicado, porque fez tal coisa [...]” (2Sm 12.6). Davi tirou a vida de Urias, e pagou quatro vezes mais por isso: (1) O filho que nascera daquele adultério morreu (2Sm 12.14); (2) Amnom foi assassinado por Absalão (2Sm 13.28,29); (3) Absalão foi morto por ter-se rebelado contra o pai (2Sm 18.9-17); e por fim, (4) Adonias também foi morto à espada (1Rs 2.24,25).

2.4 - Consequências interpessoais. Os efeitos danosos do pecado levam sofrimentos tanto ao que pecou como a muitas outras pessoas inocentes, e as vezes termina desfazendo grandes amizades. Bate-Seba a mulher de Urias era filha de Eliã e neta de Aitofel, e ambos estes homens faziam parte dos “valentes de Davi”, os súditos leais do rei. No livro de 2 Samuel, capítulo 23, a partir do versículo 24, começa a listagem dos grandes guerreiros de Davi, e ali três nomes se destacam: Eliã, Aitofel e Urias (2Sm 23.34,39). Aitofel, avô de Bate-Seba, era o grande conselheiro de Davi que, mais tarde, como num ato de vingança, aconselhou Absalão a possuir as mulheres do rei publicamente (2Sm 16.20-23). Os laços de amizade e lealdade deveriam ter servido de freio ao desejo insano do rei, porém isso não aconteceu infelizmente.

III - FASES PARA CONSUMAÇÃO DO PECADO
3.1 - A atração: “[…] e viu do terraço a uma mulher que estava se banhando” (2Sm 11.2). O primeiro passo para o pecado é a atração: “Mas cada um é tentado, quando atraído” (Tg 1.14-a). A palavra “atração” significa: “sedução, sentimento de interesse, curiosidade” (HOUAISS, 2001, p. 338). Isto significa dizer que jamais seremos tentados por aquilo que não nos sentimos atraídos (Gn 25.29,30,34; 39.7-9; Jz 14.1,3). A Bíblia nos exorta a resistir aos desejos carnais “deixando-os” (Hb 12.1); “negando-os” (Mt 16.24); “mortificando-os” (Cl 3.5); e, se preciso for, “fugindo” deles (2Tm 2.22).

3.2 - O engodo: “E mandou Davi perguntar quem era aquela mulher [...]” (2Sm 11.3). A segunda coisa destacada pelo apóstolo Tiago é o engodo (Tg 1.14-b). A expressão “engodo” quer dizer: “isca usada para atrair animais; chamariz” (HOUAISS, 2001, p. 1149). O simbolismo, talvez seja o da pesca (CHAMPLIN, 2004, p. 23). Da mesma forma, o homem é atraído por algo que desperta a sua concupiscência. O diabo é especialista em colocar a isca (Gn 3.6; 9.20,21; 2Sm 11.2; Mt 26.15; Jo 12.6; At 4.35-37; 5.1-10; 2Tm 4.10).

3.3 - A concepção: “[…] e mandou trazê-la [...]” (2Sm 11.4-b). A terceira fase é a concepção (Tg 1.15-a). Esta fase é bastante perigosa, pois aproxima o homem da queda que é o próximo passo. O verbo “conceber” quer dizer: “ser fecundado por, engravidar, gerar, acalentar” (HOUAISS, 2001, p. 1149). Todos somos tentados diariamente por coisas que se colocam na nossa frente. Diante disto, podemos renunciar ou permitir que este desejo seja alimentado em nosso interior. Devemos com a ajuda da graça (2Tm 2.1) e do poder de Deus (Ef 6.10), resistir aos apelos dos nossos maiores inimigos: a carne (Rm 7.18), o mundo (1Jo 2.15) e o diabo (Tg 4.7).

3.4 - A consumação: “[…] e se deitou com ela [...]” (2Sm 11.4-c). O verbo “consumar” quer dizer: “levar a termo; concluir, rematar; cometer, praticar” (HOUAISS, 2001, p. 815). O resultado da consumação do pecado é a morte: “[…] o pecado, sendo consumado, gera a morte” (Tg 1.15-b). Foi o que foi dito ao primeiro casal (Gn 2.17), e o que eles receberam pela desobediência (Rm 5.12; 6.23). Essa morte é essencialmente espiritual, mas pode também ser física (At 5.5,10; 1Co 11.30) e eterna (1Co 6.10; Gl 5.19-21; Ap 22.15), senão houver arrependimento sincero e abandono do pecado (Pv 28.13).

CONCLUSÃO
A maneira correta de lidarmos com nosso pecado é nos arrependermos dele e, com toda a sinceridade, buscarmos em Deus o perdão, a graça e a misericórdia (Sl 51; Hb 4.16; 7.25), e nos dispormos a aceitar, sem amargura nem rebelião, a disciplina divina pelo nosso pecado. Davi tanto reconheceu quanto confessou seus pecados, voltou-se para o Senhor, e aceitou a repreensão com humildade (Sl 12.9-13,20; 16.5-12; 24.10-25; Sl 51).

REFERÊNCIAS
ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Dicionário Teológico. CPAD.
CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia. HAGNOS.
HOUAISS, Antônio. Dicionário da Língua Portuguesa. OBJETIVA.
STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

LIÇÃO 10 – O PECADO DO HOMEM SEGUNDO O CORAÇÃO DE DEUS - (2 Sm 11.1-18) 4º TRIMESTRE DE 2019

Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Pernambuco
Superintendência das Escolas Bíblicas Dominicais
Pastor Presidente: Aílton José Alves
Av. Cruz Cabugá, 29 - Santo Amaro - Recife-PE / CEP. 50.040.000 Fone: 3084.1524 / 3084.1543

LIÇÃO 10 – O PECADO DO HOMEM SEGUNDO O CORAÇÃO DE DEUS - (2 Sm 11.1-18)
4º TRIMESTRE DE 2019

INTRODUÇÃO
Um das coisas mais importantes da narrativa bíblica é sua imparcialidade ao contar a história dos personagens bíblicos, tanto destacando seus acertos e feitos heroicos quanto seus erros. Nesta lição, introduziremos o assunto definindo a palavra pecado; destacaremos alguns falhas cometidas por Davi, o homem segundo o coração de Deus; elencaremos quais os passos que deu e que o levaram a queda espiritual; pontuaremos as subsequentes atitudes erradas para tentar reparar o seu erro, e, por conseguinte quando confrontado pelo profeta quais as atitudes certas que tomou a fim de se reconciliar com Deus; e por fim, finalizaremos falando a respeito das atitudes de Saul e de Davi ante o seu pecado.

I – DEFINIÇÃO DA PALAVRA PECADO
A palavra “pecado” segundo o dicionário significa: “desobediência a qualquer norma ou preceito” (HOUAISS, 2001, p. 2160). Teologicamente pode ser definido como “transgressão deliberada e consciente das leis estabelecidas por Deus” (ANDRADE, 2006, p. 295). A palavra hebraica “hatah” e a grega “hamartia” originalmente significam: “errar o alvo, falhar no dever” (Rm 3.23). Existem outras várias designações bíblicas para o pecado e cada palavra apresenta a sua contribuição para formar a descrição completa desta ação. Em um sentido básico pecado é: “a falta de conformidade com a lei moral de Deus, quer em ato, disposição ou estado” (CHAVES, 2015, p. 128). Podemos afirmar ainda que: “O pecado é a transgressão da Lei de Deus” (1Jo 3.4). No grego o termo “hamartia” sugere a ideia de “fracassar”, “errar o alvo” ou “desviar-se do rumo”. Porém, o termo também sugere alguém que erra o alvo propositadamente; ou seja, que atinge outro alvo intencionalmente (CABRAL, 2008, p. 302).

II – A BÍBLIA REGISTRA AS FALHAS DE DAVI
Embora a Bíblia destaque as muitas qualidades de Davi (1Sm 16.18), e acrescente dizendo que ele foi chamado o “homem segundo o coração de Deus” (1Sm 13.14; At 13.22); ela não oculta ou encobre as suas falhas, evidenciando assim sua imparcialidade e também um dos seus objetivos que é de ensinar as gerações futuras através dos erros cometidos pelos personagens bíblicos, até os mais célebres, a fim de que não caiamos na mesma situação (Rm 15.14; 1Co 10.11). Podemos notar algumas destas falhas cometida por Davi:
(a) Tentou conduzir a arca com animais e não com os levitas (2Sm 6.1-10);
(b) adulterou com a mulher de Urias (2Sm 11.1-5);
(c) planejou a morte de Urias (2Sm 11.6-17); e,
(d) numerou o povo (recenseamento) de maneira puramente orgulhosa (1Cr 21.1 ver ainda 2Sm 24.1).

III – OS PASSOS QUE LEVARAM DAVI AO MAIS HORRENDO PECADO
Davi estava vivendo um dos melhores momentos de sua vida e de seu reinado tais como:
(a) Tinha um exército respeitado (2Sm 8-10);
(b) as fronteiras haviam sido ampliadas (2Sm 5.6-12);
(c) tinha uma linda casa nova (2Sm 5.11); e
(d) planejava para construir o templo do Senhor (2Sm 7).
Porém, como acontece geralmente com todas as pessoas, a queda de Davi não foi repentina, mas gradual, pois algumas brechas começaram a se abrir em sua vida espiritual. Vejamos:

3.1 - A ociosidade. A pessoa que estar ociosa é o mesmo que desocupada; inativa; preguiçosa; indolente; com ausência de disposição; falta de empenho; preguiça. Como o reinado estava consolidado, possivelmente Davi achou que não havia necessidade de ir à batalha com seu exército. Mas, o maior erro dele não foi ficar em Jerusalém. Além de ficar no palácio desocupadamente, o rei foi passear no terraço da casa real em plena guerra (2Sm 11.1,2). As maiores tentações que o crente enfrenta, não são aquelas que lhe sobrevêm quando ele está à frente da peleja, e sim, quando está vivendo ociososamente e isto o torna vulnerável. A Bíblia exorta a fugir da aparência do mal (1Ts 5.22), e vigiar para não cairmos em tentação (1Co 10.12,13).

3.2 - A cobiça. A cobiça é o mesmo que ganância; cupidez; avidez; ambição; inveja e desejo desmedido por aquilo que é do outro. Enquanto passeava, Davi viu Bate-Seba que estava se banhando (2Sm 11.2). Ao vê-la, Davi a cobiçou, pois era uma mulher muito formosa (2Sm 11.2,3). O pecado da cobiça leva o homem à perder o domínio próprio e ficar sob o domínio da carne (Tg 1.14,15 ver Jó 31.1). Foi isto que aconteceu com Davi. Ele procurou saber quem era aquela mulher e lhe informaram que era a mulher de Urias, ou seja, era uma mulher casada, e não era lícito possuí-la. Mas ele não se conteve e mandou trazê-la. O décimo mandamento: “não cobiçarás” (Êx 20.17), vai contra a própria raiz do pecado, o coração pecaminoso e o desejo perverso. Cristo aborda a responsabilidade sobre o pecado do pensamento, pois toda ação humana começa no seu coração, inclusive comparou o desejo de pecar ao próprio ato em si (Mt 5.28; Mc 7.21-23).

3.3 - O adultério. Mesmo sabendo que aquela mulher era casada, Davi a possuiu e adulterou com ela, sem pensar nas consequências do seu erro (2Sm 11.4). Davi ficou “cego” e transgrediu o mandamento de Deus ao tomar a mulher de outro homem (Êx 20.14,17). A palavra adultério vem do latim, adulterium, que tem o sentido de “dormir na cama alheia”. É a relação sexual entre pessoa casada, com outra que não é o seu cônjuge” (RENOVATO, 2013, p. 69). O sétimo mandamento: “Não adulterarás” (Êx 20.7), tem como objetivo a abstenção de toda impureza da carne e ainda exorta para conservação do leito sem mácula, isto é, o amor conjugal e a coabitação. Ele visa proteger o matrimônio por ser uma instituição sagrada instituída por Deus. Esta prática nociva se constitui num pecado contra Deus, contra si mesmo e contra o próximo (Gn 39.9; 1Co 6.18; Rm 13.9).

IV – TENTATIVAS ERRADAS DE RESOLVER O PECADO
4.1 - Ocultando o pecado. Ocultar é o mesmo que esconder; encobrir; disfarçar; dissimular. Assim que Davi pecou, procurou encobrir o seu erro. No entanto, sua atitude pecaminosa embora feita as ocultas foi vista pelo Senhor: “esta coisa que Davi fez pareceu mal aos olhos do SENHOR” (2Sm 11.27) e no devido tempo viria à luz: “Porque tu o fizeste em oculto, mas eu farei este negócio perante todo o Israel e perante” (2Sm 12.12). O pecado é mal, e ocultá-lo é mais mal ainda (Sl 32.1-5; Pv 28.13).

4.2 - Enganando seu leal escudeiro. Enganar é iludir; induzir ao erro; lograr; calotear; engrolar. A primeira tentativa de Davi foi mandar buscar Urias. Após saber como estava a guerra e o exército, mandou que Urias fosse para sua casa e coabitasse com a sua mulher. Seu intento era que ele deitasse com Bate-Seba, para que ele não descobrisse que foi traído. Porém, Urias era tão leal ao rei e aos seus companheiros que não quis se dar ao luxo de estar em casa com sua esposa, enquanto os homens estavam à frente da peleja. Por isso, ele se deitou à porta da casa real com os servos do rei, e não foi para sua casa (2Sm 11.6-11). Dessa forma, o primeiro plano de Davi foi frustrado e ele partiu para o segundo plano cumprindo o que a Bíblia nos diz que um pecado gera outro (Sl 42.7). Quando soube que Urias não havia ido para sua casa, Davi o convidou para o palácio e juntos comeram e beberam; e Davi, propositalmente o embebedou, para que ele se esquecesse de suas responsabilidades militares, pelo menos por uma noite. A estratégia de Davi falhou mais uma vez, pois, mesmo embriagado, Urias não foi para sua casa, mas permaneceu na corte dormindo com os servos do rei (2Sm 11.12,13).

4.3 - Planejando a morte do marido traído. Planejar é esboçar; projetar; desenhar; preconceber algo; traçar; arquitetar. Como Davi não conseguiu consumar seu intento, fazendo com que Urias fosse para casa para dormir com Bate-Seba, para encobrir o pecado de adultério, Davi tomou uma medida ainda mais drástica. Escreveu uma carta para Joabe chefe do seu exército pelas mãos do próprio Urias, para que Joabe colocasse Urias à frente da peleja, para que morresse (2Sm 11.14,15). Joabe, então cumpriu o mandado do rei, colocou Urias à frente da peleja e ele morreu. Este plano funcionou! Ao saber da morte de Urias, Davi trouxe Bate-Seba para o palácio e a tomou por mulher. A Palavra de Deus nos diz que: “... esta coisa que Davi fez pareceu mal aos olhos do Senhor” (2Sm 11.27).

V – TOMANDO A DECISÃO CORRETA ANTE O PECADO
Deus enviou o profeta Natã para repreender a Davi. O profeta contou uma história que fez com que o rei reconhecesse o seu erro (2Sm 12.1,4). Ao ouvir a parábola, Davi lhe interrompeu dizendo: “Vive o Senhor, que digno de morte é o homem que fez isso” (2Sm 12.5). Nessa ocasião, o profeta lhe diz: “Tu és este homem” (2Sm 12.7). Aquelas palavras fizeram com que a ira de Davi se transformasse em pesar. Notemos suas reações:

5.1 - Confissão (2Sm 12.13). Quando confrontado pelo profeta Natã por causa do seu pecado, Davi com sinceridade confessou: “Pequei contra o SENHOR” (2Sm 12.13). No salmo 51 encontramos a oração de Davi diante do Senhor confessando o seu pecado: “Contra ti, contra ti somente pequei [...]” (Sl 51.3).

5.2 - Quebrantamento. Quando reconheceu o seu pecado, Davi se quebrantou diante do Senhor: “e jejuou Davi, e entrou, e passou a noite prostrado sobre a terra” (2Sm 12.16). No salmo 51 vemos ele quebrantado dizendo: “os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus” (Sl 51.17). 

5.3 Arrependimento. Davi arrependeu-se amargamente da sua iniquidade e pediu a Deus que lavasse os seus pecados, e o purificasse (Sl 51.2), que lhe desse um coração puro e um espírito reto: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova em mim um espírito reto” (Sl 51.10).

VI – DIFERENÇAS ENTRE SAUL E DAVI ANTE O PECADO
Alguém pode perguntar porque Deus não perdoou o pecado de Saul e perdoou o de Davi. A resposta para este questionamento encontra-se na forma como cada um dos personagens reagiu quando confrontado pela palavra de Deus. Notemos:

SAUL
Pecou e tentou justificar o seu erro (1Sm 13.11,12).
Tentou aplacar a ira de Deus com sacrifícios (1Sm 15.20-22).
Entristeceu o Espírito Santo e não procurou se consertar, antes se apostatou (1Sm 16.23).

DAVI
Pecou e confessou o seu erro (Sl 51.1-4).
Reconheceu que o quebrantamento e não os sacrifícios agradavam a Deus (Sl 51.16,17).
Entristeceu o Espírito Santo e buscou a renovação e pediu misericórdia (Sl 51.10,11).

CONCLUSÃO
A queda de Davi em pecado nos ensina que devemos ter cuidado com a nossa vida moral e espiritual a fim de não cairmos na mesma situação. Deus espera que não pequemos, mas se isto acontecer, devemos com sinceridade buscar o Seu perdão e a consequente restauração.

REFERÊNCIAS
ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Dicionário Teológico. CPAD.
SWINDOLL, Charles, R. Davi, um homem segundo o coração de Deus. MC.
HOUAISS, Antônio. Dicionário da Língua Portuguesa. OBJETIVA.
STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

LIÇÃO 09 – O REINADO DE DAVI – (2 Sm 5.1-12) 4º TRIMESTRE DE 2019


Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Pernambuco
Superintendência das Escolas Bíblicas Dominicais
Pastor Presidente: Aílton José Alves
Av. Cruz Cabugá, 29 - Santo Amaro - Recife-PE / CEP. 50.040.000 Fone: 3084.1524 / 3084.1543

LIÇÃO 09 – O REINADO DE DAVI – (2 Sm 5.1-12)
4º TRIMESTRE DE 2019

INTRODUÇÃO
Nesta lição aprenderemos sobre o estabelecimento do reinado de Davi e os principais fatos que marcaram este reino; destacaremos algumas lições práticas que podemos aprender sobre o exercício da monarquia davídica; e, por fim, veremos as similaridades entre o reinado de Davi e o reino messiânico de Cristo.

I – O ESTABELECIMENTO DO REINADO DE DAVI EM ISRAEL
1.1 - A morte de Isbosete. Abner capitão do exército de Israel, havia constituído o quarto filho de Saul chamado Isbosete, como o substituto de seu pai no trono (2Sm 2.8-10). No entanto, essa coroação foi ilegítima, uma vez que o escolhido por Deus para ser rei era Davi (1Sm 16.1,13; 2Sm 3.9,10), e esta consagração não era da sua competência, visto que Abner era um capitão e não um profeta ou sacerdote (1Sm 10.1; 1Rs 1.39,45; 19.16; 2Rs 9.6; 11.12). Após a morte de Abner (2Sm 3.26,27), houve consternação e confusão ao povo de Israel e a Isbosete (2Sm 4.1). Neste ponto, dois dos capitães das tropas de Saul, chamados Baaná e Recabe, filhos de Rimom da tribo de Benjamim (2Sm 4.2), decidiram conspirar contra Isbosete. Os dois conspiradores foram ao meio-dia, para a casa do rei (2Sm 4.5,6). Ao encontrarem Isbosete reclinado em sua cama, mataram-no covardemente (2Sm 4.7).

1.2 - Os anciãos de Israel procuram a Davi. Após a morte de Isbosete, todas as tribos de Israel vieram a Davi (2Sm 5.1,3). Eles lembraram que:
(a) Davi já havia se revelado um líder militar sob as ordens de Saul: “[…] sendo Saul ainda rei sobre nós, eras tu o que saías e entravas com Israel […]” (2Sm 5.2-a; ver 1Sm 18.30); e,
(b) estavam cientes da promessa que Deus havia feito a Davi: “[…] Tu apascentarás o meu povo de Israel e tu serás chefe sobre Israel” (2Sm 5.2-b).
As qualificações para o rei de Israel encontravam-se escritas na lei de Moisés (Dt 17.14-20). O primeiro e mais importante requisito, era ser alguém escolhido pelo Senhor dentre o povo de Israel (Dt 17.15). Israel sabia que Samuel havia ungido Davi para ser rei cerca de vinte anos antes e que era da vontade de Deus que Davi subisse ao trono (1Sm 16.1,13; 2Sm 3.9,10). A nação precisava de um pastor, e Davi era exatamente a pessoa certa para este ofício (1Sm 16.11,19; 17.15,34,35; Sl 78.70-72).

1.3 - Davi é ungido o rei de Israel. Abner estava morto, mas havia preparado o caminho para Davi ser proclamado rei das doze tribos (2Sm 3.17-21). Na sequência, os líderes de todas as tribos reuniram-se em Hebrom e coroaram Davi com o seu rei. À luz do contexto, destacamos que: (a) quando Davi era adolescente, havia recebido a unção de Samuel em particular (1Sm 16.13), (b) os anciãos da tribo de Judá o haviam ungido quando se tornou seu rei (2Sm 2.4), e, (c) nessa última reunião porém, os anciãos de todo Israel ungiram Davi e proclamaram-no seu rei (2Sm 5.3). Com a coroação de Davi sobre todo o Israel, o reino estava finalmente reunificado. A Bíblia diz que Davi reinou por quarenta anos, sendo que, sete anos e meio em Hebrom e trinta e três anos em Jerusalém (2Sm 5.4,5).

II – FATOS QUE MARCARAM O REINADO DE DAVI EM ISRAEL
2.1 - Jerusalém como capital do reino. Um dos marcos da liderança de Davi sobre Israel, foi a mudança da capital do reino, visto que, Abner e Isbosete haviam estabelecido em Maanaim (2Sm 2.8). A mudança para Jerusalém, foi um ato engenhoso de Davi: 
(a) por estratégia política, já que a cidade de Jerusalém, chamada de Jebus, era habitada pelos jebuseus (Jz 19.10; 2Sm 5.6; 1Cr 11.4,5) e localizada na fronteira entre Benjamim (a tribo de Saul) e Judá (a tribo de Davi), Jerusalém não havia pertencido a nenhuma das tribos, de modo que ninguém poderia acusar Davi de favoritismo na instituição de sua nova capital; e,
(b) pela localização geográfica, construída sobre um monte rochoso, a cidade era uma fortaleza natural cercada de três lados por vales e montes, sendo assim, Jerusalém era símbolo de segurança (2Sm 5.7-9; Sl 48.2; 50.2) (WIERSBE, 2010, p. 309). Após a coquista de Jerusalém, esta se tornou conhecida como a cidade de Davi (2Sm 5.7,9), e ali o monarca estabeleceu sua moradia (2Sm 5.9,11).

2.2 - A vitória contra os inimigos. A despeito da presença de Deus manifesta na vida de Davi e a confirmação divina de seu reinado (2Sm 5.10,12), isso não o isentou de enfrentar ataques por parte dos filisteus (2Sm 5.17-25). Aqueles que estiveram satisfeitos em ver a nação divida em dois reinos pequenos e hostis sob os governos de Isbosete e Davi, viram na união das doze tribos de Israel, uma séria ameaça. Ao ouvirem dizer que Davi havia sido ungido rei, os filisteus empreenderam uma batalha contra o monarca (2Sm 5.17,18). Apesar da resistência destes inimigos (2Sm 5.22), Davi foi vitorioso como cumprimento da promessa divina (2Sm 5.19,24,25). Vencendo aos inimigos de Israel que estavam à sua volta: os filisteus (2Sm 8.1; 21.15-22); os moabitas (2Sm 8.2); os arameus e sírios (2Sm 8.3-12); e, os edomitas (2Sm 8.13,14), sempre com a ajuda de Deus (2Sm 8.14).

2.3 - A arca da aliança trazida a Jerusalém. Depois da reunificação do reino, Davi trouxe a Arca da Aliança para Jerusalém, trazendo a restauração do culto ao Senhor algo que havia sido negligenciado no reinado de Saul e Isbosete. Uma vez que sua perda ocorrera durante uma das primeiras batalhas contra os filisteus (1Sm 4.5), a determinação de Davi em recuperá-la, seguida de sua impressionante vitória contra os filisteus foi muito significativa. Essa transferência aconteceu em dois estágios: um malsucedido (2Sm 6.1-11) e outro que obteve êxito (2Sm 6.12-19). A Arca da Aliança para os israelitas simbolizava: 
(a) a presença visível de Deus (Êx 25.22);
(b) um sinal da proteção de divina (Js 3.3; 4.10); e,
(c) sua presença trazia júbilo e alegria para os israelitas (1Sm 4.4-6; 2Sm 6.15,21).

III – LIÇÕES QUE APRENDEMOS COM O REINADO DE DAVI
3.1 - A certeza que Deus cumpre com as sua promessas. Davi havia sido ungido para ser rei ainda muito jovem (1Sm 16.13), mas a sua coroação não aconteceu imediatamente, entre a promessa e o cumprimento há um tempo, uma trajetória a ser percorrida. Muitos desafios Davi enfrentou até tornar-se, de fato, rei sobre todo o Israel, porém, nada pôde impedir que ele reinasse sobre as doze tribos de Israel. Como disse o Senhor a Jeremias: “[…] eu velo sobre a minha palavra para cumpri-la” (Jr 1.12). Davi teve que aprender a esperar pacientemente o tempo de Deus em sua vida (1Sm 22.3; Sl 40.1), cofiando que Deus cumpriria a promessa que lhe havia feito, uma vez que o Senhor é fiel para cumprir com sua palavra (Dt 7.9; Nm 23.19; Sl 33.4; 146.5,6; Is 54.10; 2Tm 2.11-13). Sobre as promessas de Deus, a Bíblia afirma:
(a) o Senhor é fiel para as cumprir (Hb 10.23);
(b) Ele nunca as esquece (Sl 105.42; Lc 1.54,55);
(c) não hão de falhar (Js 23.14; Is 40.8); e,
(d) se cumprem no devido tempo (Jr 33.14; At 7.7; Gl 4.4).
Diante disso, aprendemos que o homem chamado por Deus deve ser paciente e aguardar o cumprimento das promessas (Hb 6.15).

3.2 - A necessidade de depender da direção divina. Era muito comum antes de dar um passo importante, Davi buscar a vontade do Senhor (1Sm 23.2,4; 30.8; 2Sm 2.1), e contra os filisteus após assumir o reinado de Israel não foi diferente. Em se tratando de guerra, Davi não era presunçoso, por isso, consultou ao Senhor para saber se deveria e como atacar os inimigos (2Sm 5.19,23) e os derrotou utilizando exatamente as táticas fornecidas por Deus (2Sm 5.20-21,22-25). O rei Davi foi bem sucedido onde Saul havia fracassado, porque agiu em perfeita obediência ao planos do Senhor (2Sm 5.25). Desse modo, aprendemos que, aos que desejam ser bem sucedidos em todas as áreas de sua vida, precisam nos submeter a direção de Deus (Sl 16.7; 25.12; 37.23; 43.3; 48.14; Pv 2.6-8; 3.6; 16.1,9; 20.24; Is 58.11).

3.3 - A humildade de atribuir a Deus as conquistas alcançadas. Desde muito cedo na vida de Davi, havia um reconhecimento público que ele era um instrumento para trazer vitórias nas guerras travadas pelo exército de Israel (1Sm 18.5,6,13-15; 2Sm 5.2). O seu reinado cresceu e se fortaleceu de maneira inimaginável (2Sm 5.10), ganhando popularidade até mesmo entre os estrangeiros (2Sm 5.11), de modo que seu nome se tornou notável entre os homens (1Sm 18.30; 2Sm 7.9; 8.13). No entanto, o rei Davi reconhecia que a razão de todas estas conquistas, se dava pela ação Deus em sua vida (1Sm 17.37,45-47; 18.14; 23.14; 2Sm 5.12,24; 8.14), o mérito era divino e não humano. Todos devem render ao Senhor a glória que lhe é devida (1Cr 16.28; Sl 115.1; Is 42.8; 1Co 10.31; Rm 11.36; 15.18; 2Co 3.5; Fp 4.20).

IV – O REINADO DE DAVI UMA FIGURA DO REINO MESSIÂNICO
Uma vez que Davi na tipologia é uma figura do Messias, o seu reinado prefigura o reino messiânico de Cristo, que será estabelecido no milênio ao final da Grande Tribulação (Ap 20.1-4). Vejamos portanto em ambos os reinos, algumas similaridades:

REINO DAVÍDICO
1 - Jerusalém, capital do reino de Israel (2Sm 5.7; 1Rs 2.10; 1Cr 13.13; 15.1).
2 - Justiça como marca de sua administração (2Sm 8.15);
3 - Foi marcado pela paz em decorrência da ação divina (2Sm 7.1);
4 - Desfrutou de alegria como resultado da presença simbólica de Deus entre o povo (2Sm 6.15,21).

REINO MESSIÂNICO
1 - Jerusalém será a sede do governo mundial de Cristo (Is 2.3; 60.3; 66.2; Jr 3.17);
2 - A justiça caracterizará o governo do Messias (Is 62.1,2; 33.5; Is 32.1);
3 - Haverá paz como fruto do reino do Messias, o Príncipe da paz (Is 9.6; 2.4; 9.4-7; 11.6-9; 32.17,18; 33.5,6; 54.13; 55.12; 60.18; 65.25; 66.12; Ez 28.26; 34.25,28; Os 2.18; Mq 4.2,3; Zc 9.10);
4 - A alegria será marca característica da era milenar (Is 9.3,4; 12.3-6; 14.7,8; 25.8,9; 30.29; 42.1,10-12; 60.15; Jr 30.18,19; 31.13,14; Sf 3.14-17; Zc 8.18,19; 10.6,7).

CONCLUSÃO
A biografia de Davi e sua liderança a frente da nação de Israel, é uma comprovação da fidelidade e soberania de Deus na história humana, onde encontram-se atitudes que agradam ao Senhor, para que assim como Davi, sejamos crentes segundo o coração de Deus.

REFERÊNCIAS
CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. vl 02. SP: HAGNOS, 2004
HOWARD, R.E, et al. Comentário Bíblico Beacon. CPAD.
STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. RJ: CPAD, 1997.
WIERSBE Warren W. Comentário Bíblico Claro e Conciso AT – Históricos. SP: GEOGRÁFICA, 2010.

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