segunda-feira, 28 de agosto de 2017

LIÇÃO 10 – AS MANIFESTAÇÕES DO ESPÍRITO SANTO (At 2.1-6; 1 Co 12.1-7) 3º TRIMESTRE DE 2017

Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Pernambuco
Superintendência das Escolas Bíblicas Dominicais
Pastor Presidente: Aílton José Alves
Av. Cruz Cabugá, 29 - Santo Amaro - Recife-PE / CEP. 50.040.000 Fone: 3084.1524 / 3084.1543

LIÇÃO 10 – AS MANIFESTAÇÕES DO ESPÍRITO SANTO (At 2.1-6; 1 Co 12.1-7)
3º TRIMESTRE DE 2017

INTRODUÇÃO
Na lição de hoje, trataremos de uma importante doutrina “o Batismo com o Espírito Santo e os dons espirituais”. Esclareceremos, a princípio, o que não é o batismo com o Espírito Santo; veremos como a Biblia classifica essa importante dádiva espiritual; e, por fim abordaremos qual o sinal físico inicial que evidencia o recebimento do poder do alto.

I – O QUE NÃO É O BATISMO COM O ESPÍRITO
1.1 - O batismo pelo Espírito. Embora a Bíblia chame de “batismo” tanto a inserção do crente no corpo de Cristo (1 Co 12.13), quanto o revestimento de poder (At 1.5), existem diferenças claras entre embas as experiências, evidenciando que são ministrações distintas uma da outra. “No batismo pelo Espírito Santo, o batizador é o Espírito de Deus (1 Co 12.13); o batizando é o novo convertido; e o elemento em que o recém-convertido é imerso, a Igreja, como corpo místico de Cristo (1 Co 12.27; Ef 1.22, 23). Portanto, o Espírito Santo realiza esse batismo espiritual no momento da nossa conversão, inserindo o crente na Igreja (Mt 16.18)” (GILBERTO, 2008, p. 187).

1.2 - Não é o selo. O selo, a que se refere o NT, não é o batismo com o Espírito Santo, mas a habitação do Espírito no crente, como prova de que o mesmo é propriedade particular de Deus (Ef 1.13,14; 4.30). Embora algumas vezes o batismo com o Espírito Santo seja chamado apenas de “Espírito Santo” (At 8.15,17-19; 10.44,47; 11.15; 19.2), não podemos confundir a habitação do Espírito que se dá na regeneração; com o revestimento do Espírito que se dá após a regeneração com a evidência física inicial do falar em línguas. O Espírito Santo veio para habitar (Jo 14.17), encher (At 13.52; Ef 5.18); e, batizar os crentes (At 2.38). Como podemos ver, estas três atuações são distintas uma da outra. Portanto, todo crente salvo tem o Espírito Santo (Rm 5.5; 8.9; 1 Co 6.19; 2 Tm 1.14).

1.3 - Não é uma língua aprendida. Alguns estudiosos defendem que as línguas prometidas por Jesus como sinais para os que creem seriam línguas humanas naturais ou idiomas, tais como o grego, latim que os apóstolos aprenderiam. Tal opinião é descabida, pois que, todos os sinais descritos em Marcos 16.17 são sobrenaturais. Até porque a palavra “sinal” usada no referido texto refere-se a atos milagrosos, e todos nós sabemos que não há nada milagroso em estudar um idioma e falá-lo, mas, sim, falar algum idioma sem nunca ter aprendido, como aconteceu no Dia de Pentecostes, evidenciando a sobrenaturalidade desta manifestação (At 2.7,12).

1.4 - Não é a regeneração. A regeneração diz respeito há uma mudança no interior do pecador (Ez 36.26; Jo 3.5,6; Tt 3.5; 1 Jo 5.18); já o batismo com o Espírito Santo há um revestimento para capacitação (Lc 24.49). A Bíblia deixa claro que os discípulos já eram regenerados quando foram batizados com o Espírito Santo (Jo 13.10; 15.3; 17.12). Portanto, a regeneração não é o batismo com o Espírito Santo; este deve seguir-se à regeneração (At 2.38,39; 19.1-6).

II – O QUE É O BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO
2.1 - Uma promessa divina. No AT os profetas anunciaram que Deus daria esta bênção ao Seu povo (Pv 1.23; Is 44.3; Jl 2.28). No NT, João Batista disse que batizava com água, mas o Messias batizaria com o Espírito Santo (Mt 3.11; Mc 1.8; Lc 3.16). Jesus, antes de ascender aos céus, anunciou de que esta promessa do Pai viria sobre os seus seguidores (Lc 24.49; At 1.4). No dia de Pentecostes, o Espírito Santo desceu sobre os discípulos, eles começaram a falar em línguas, as pessoas se espantaram, e ao mesmo tempo acusaram os servos do Senhor de embriagez (At 2.7,12,13). Pedro os respondeu mostrando que aquela manifestação era o cumprimento de uma promessa bíblica (At 2.16-21; Jl 2.28,29). Paulo fez semelhante declaração (1 Co 14.21). Joel anunciou que tal promessa se estende a todo povo: “toda carne”, independente do sexo: “filhos e filhas”; faixa etária: “jovens e velhos”; e, status social: “servos e servos” (Jl 2.28).

2.2 - Um revestimento de poder. Em uma das vezes que Jesus fez alusão ao batismo com o Espírito Santo o chamou de revestimento de poder (Lc 24.49). Tal capacitação viria sobre os seus discípulos a fim de que executassem a tarefa de evangelização dos povos (At 1.8). Portanto, esse “revestimento” tem como finalidade conceder poder para o serviço, resultando em uma expressão externa de caráter sobrenatural” (PEARLMAN, 2006, p. 311).

2.3 - Um dom do Espírito. O apóstolo Pedro diz que o batismo com o Espírito Santo é um dom (At 2.38; 10.45). A palavra “dom” no grego “charisma”, é usada para indicar os dons do Espírito conferidos para a obra (1 Co 12.4,9,28,30,31). “Dons são capacitações especiais e sobrenaturais concedidas pelo Espírito de Deus ao crente para serviço especial na execução dos propósitos divinos por meio da Igreja” (SOARES, 2017, p. 121).

2.4 - Uma experiência válida para a era da igreja. Embora haja quem advogue que os dons espirituais ficaram restritos ao período apostólico o texto bíblico atesta claramente que tanto o batismo com o Espírito Santo como os demais dons são válidos para toda a era da igreja. O apóstolo Pedro afirmou: “Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar” (At 2.38). Asseverar que os dons só eram necessários enquanto o Cânon não estava fechado é um grave erro, por pelo menos dois motivos:

a) os dons não visam substituir a autoridade e supremacia das Escrituras, visto que seu uso deve estar subordinado ao crivo da Palavra (1 Co 14.37);
b) o texto usado pelos cessacionistas para justificar a “descontinuidade” das manifestações do Espírito (1 Co 13.10), na verdade, não tem este sentido, senão que Paulo está dizendo que os dons só terão utilidade até o retorno de Cristo, afinal de contas, quando formos ao céu teremos deixado o conhecimento imperfeito, pelo conhecimento perfeito.

O testemunho bíblico e histórico, confirma que os dons espirituais são vigentes para todo o período da Igreja.

2.5 - Uma porta que dá acesso aos demais dons espirituais. É bom destacar que o batismo com o Espírito Santo é a porta por meio da qual o crente tem acesso aos demais dons listados por Paulo em 1 Coríntios 12.1-8. Isto podemos afirmar pelos seguintes motivos:

a) a “dispensação do Espírito” teve o seu início em Atos 2, quando o Espírito desceu sobre a igreja para ficar com ela como havia sido prometido (Jo 15.26; 16.13);
b) a primeira manifestação do Espírito na Sua vinda sobre a igreja foi com o batismo com o Espírito Santo (At 2.1-4);
c) o livro de Atos nos mostra que os servos de Deus só foram usados nos outros dons a partir do momento em que foram batizados (At 3.6-8; 5.1-16; 6.8; 8.5-7; 9.40,41; 14.10; 19.11,12). Os dons espirituais são nove e podem ser classificados da seguinte forma:


III – FALAR EM LÍNGUAS: A EVIDÊNCIA FÍSICA DO BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO
Alguns sinais manifestados no Dia de Pentecostes foram específicos para aquela ocasião (At 2.1-4). No entanto, o sinal fônico: o “falar em outras línguas” (At 2.4), foi o sinal visível e audível que sempre se manifestou quando houve a manifestação do batismo com o Espírito Santo, como podemos ver nas seguintes passagens:

a) em Jerusalém: entre os judeus (At 2.1-4);
b) em Samaria: entre os samaritanos de forma implícita (At 8.17,18); e,
c) em Cesaréia e Éfeso: entre os gentios (At 10.44-46; 19.1-7).

Portanto, Lucas descreve a dádiva do Espírito Santo, sendo acompanhada e comprovada pelo falar em línguas. A Bíblia nos mostra uma dupla forma da manifestação das línguas. Vejamos: 3.1 - Línguas conhecidas. Os quase cento e vinte discípulos, no Dia de Pentecostes, receberam o batismo com o Espírito Santo e uma manifestação do falar em línguas conhecidas, ou seja, “línguas diferentes da sua língua materna” (At 2.8). Apesar de serem todos galileus (At 2.7), eles de forma sobrenatural começaram a falar das grandezas de Deus nos idiomas conhecidos dos judeus que tinham vindo de várias partes do mundo para a comemoração do Pentecostes em Jerusalém(At 2.5; 9-11). “O termo grego traduzido por língua em Atos 2.6 e 8 é 'dialektos' e refere-se à linguagem ou dialeto de um país ou região” (LOPES, 2012, p. 56 – acréscimo nosso). Além do batismo com o Espírito Santo os discípulos nessa ocasião também foram agraciados com a manifestação da xenolalía - “idiomas humanos, reais nunca antes aprendidos por aqueles que falavam” (CARSON, 2013, p. 140). Confira: (At 2.4-11).

3.2 - Línguas desconhecidas. Paulo disse que nem sempre as línguas que se manifestam no batismo são compreensíveis (1 Co 14.2). O falar em línguas não identificáveis é chamado de glossolalía. A Bíblia mostra que existem diferenças entre as línguas faladas no Dia de Pentecostes e as que são manifestadas em outras ocasiões e em nossos dias. Esta diferença não ocorre na fonte das línguas, pois todas “são concedidas pelo Espírito Santo” (At 2.4), no entanto: “a forma” como se manifestam são distintas. Vejamos: as primeiras eram entendidas: intelegíveis (At 2.4,8); a segunda não são entendidas, senão houver interpretação: inintelegíveis (1 Co 14.2,9,14,16,23); a primeira pode ser traduzida (At 2.11); a segunda pode ser interpretada (1 Co 14.5); a primeira acontece esporadicamente (At 2.4); a segunda acontece frequentemente (At 10.44-46; 19.1-7). Sobre as línguas, a Bíblia assevera que o batizado pode: orar em línguas (1 Co 14.15-a); cantar em línguas (1 Co 14.15-b); falar em línguas de forma equilibrada (1 Co 14.28); e, buscar o dom de interpretação (1 Co 14.13).

CONCLUSÃO
Cremos à luz das Escrituras que o batismo com o Espírito Santo e os demais dons espirituais, foram concedidos pelo Espírito Santo, a Igreja, por ocasião do Dia de Pentecostes e estão disponíveis durante toda a sua trajetória aqui na terra. O termo “pentecostal” evoca as manifestações dos carismas “dons” do Espírito enviado à igreja.

REFERÊNCIAS
BRUNELLI, Walter. Teologia para Pentecostais. CENTRAL GOSPEL.
CARSON, D.A. A manifestação do Espírito. VIDA NOVA.
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa.
POSITIVO.  GILBERTO, Antonio, et al. Teologia Sistemática Pentecostal. CPAD.
PEARLMAN, Myer. Conhecendo as Doutrinas da Bíblia. VIDA.
STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

LIÇÃO 09 – A NECESSIDADE DE TERMOS UMA VIDA SANTA – (1 Pe 1.13-22)  3º TRIM. DE 2017

Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Pernambuco
Superintendência das Escolas Bíblicas Dominicais
Pastor Presidente: Aílton José Alves
Av. Cruz Cabugá, 29 – Santo Amaro – Recife-PE / CEP. 50.040.000 Fone: 3084.1524 / 3084.1543

LIÇÃO 09 – A NECESSIDADE DE TERMOS UMA VIDA SANTA – (1 Pe 1.13-22)
 3º TRIMESTRE DE 2017


INTRODUÇÃO

Nesta lição veremos à luz da Bíblia, a definição e conceito da doutrina da santidade; destacaremos a necessidade de vivermos uma vida santa como verdadeiros servos de Deus; pontuaremos também algumas motivações bíblicas para viver em santidade; e finalmente, algumas características de uma vida santa.

I – A SANTIDADE À LUZ DA BÍBLIA
1.1 - Definição do termo. O substantivo “qodesh”, que se traduz como “santidade”, bem como a palavra grega “hagiosyne”, significam basicamente: “estado de separação do que é comum ou impuro; é a característica do que é consagrado exclusivamente a Deus” (Lv 20.24-26; At 6.13; 21.28; 1 Ts 3.13) (WYCLIFFE, 2012, p. 1760 – acréscimo nosso). Segundo Jones (2015, p. 76): o substantivo “qodesh” é usado como raiz das demais formas, incluindo a forma verbal, “qodash”, normalmente traduzida por “ser santo”, “santificar” ou “consagrar”. Santidade e o adjetivo santo ocorrem mais de 900 vezes na Bíblia (TYNDALE, 2015, p. 1656), ficando clara a importância dada pelas Escrituras a tal doutrina.

1.2 - O Conceito de santidade. O princípio de separação no AT é aplicado em termos gerais, a Deus (Lv 19.2), a objetos (Êx 30.28,29; 40.9), e a pessoas (Lv 8.12; Nm 6.1-11). Deus separou os israelitas para serem uma nação santa (Lv 20.26; Dt 7.6; Dt 14.2). Esse chamado à santidade se fundamentava no fato de agora terem se tornado possessão de Deus, que é santo, e por isso os israelitas deviam estar separados de tudo aquilo que é profano ou comum, tudo o que contamina (SOARES, 2017, p. 117). De acordo com Andrade (2006, p. 326), santidade nas Escrituras tem dois sentidos básicos: “separação do mal e do pecado; e ainda, a dedicação completa ao serviço do Reino de Deus”. Basicamente, santidade é um “corte” ou seja, a “separação” daquilo que é impuro e uma consagração ao que é puro (TYNDALE, 2015, p. 1656). Viver em santidade é uma necessidade para quem quer viver separado da corrupção do pecado e deseja viver única e exclusivamente para Deus, como o fez o apóstolo Paulo (At 27.23).

II – A NECESSIDADE DE UMA VIDA SANTA
A Bíblia mostra claramente a necessidade de vivermos uma vida santa por meio de várias exortações (Rm 13.13,14; Ef 4.17-24; Fp 4.8,9; Cl 3.5-10). No processo da santificação progressiva o homem não é de todo passivo como na regeneração, antes, os cristãos recebem a ordem de mortificar os desejos da carne (Rm 8.13), nesse texto, Paulo indica que é pelo Espírito que fazemos isso, porém, diz que a atitude é nossa (Cl 3.5). A responsabilidade do crente quanto à santificação, é destacada pelo escritor aos Hebreus (Hb 12.14-a), ao usar o termo “segui”, do grego “dioko”, que significa: “perseguir, pressionar, correr após, esforçar-se por”, palavra usada figuradamente para indicar uma busca moral e espiritual bem definida, tendo um alvo em vista (CHAMPLIN, 2002, p. 647). Sobretudo, a necessidade de uma vida santa é vista ao afirmar que: “[…] sem a santificação ninguém verá ao Senhor” (Hb 12.14-b), ficando claro que os que se moldam às paixões da carne e do mundo, tornam-se reprováveis diante de Deus, não podendo está em sua presença (Sl 15.1-5; 24.1-3; Mt 5.8; Gl 5.19-21; Ap 21.8; 22.14,15). A vontade de Deus tem sido sempre de que seus filhos reflitam seu caráter (Tt 2.14), revelando sua identificação com Cristo (Rm 8.29-30; 2 Co 3.18; 7.1; Gl 4.19; Ef 1.4; 2.10; 4.13; 1 Ts 3.13; 4.3,7; 5.23).

III – A ABRANGÊNCIA DA SANTIDADE
Para um cristão cuja vida é consagrada a Deus, a divisão entre “secular” e “sagrado”, em certo sentido não são duas coisas diferentes. Ao viver para a glória de Deus, a vida do servo de Deus em todos os aspectos deve ser marcada pela santidade, como exorta o apóstolo Pedro: “[…] em toda a vossa maneira de viver” (1 Pd 1.15; ver Sl 103.1; 1 Ts 5.23). Nenhum aspecto da nossa vida está excluído desse imperativo divino, até mesmo atividades comuns, como comer e beber, devem ser realizadas para a glória de Deus, como afirma o Apóstolo Paulo: “Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus” (1 Co 10.31). Semelhantemente o apóstolo Paulo nos encoraja a nos manter puros no corpo e no espírito (2 Co 7.1; ver 1 Co 7.34). Sendo assim, nosso procedimento deve resplandecer o caráter de Deus, a santidade daquele que nos chamou por Seu Filho para a salvação (Rm 8.29; Ef 1.4) (LOPES, 2012, p. 50 – acréscimo nosso).

IV – MOTIVAÇÕES PARA UMA VIDA SANTA
4.1 - A santidade de Deus (1 Pd 1.16). Santidade tanto no AT como no NT, é atributo que no seu sentido mais elevado e absoluto, se aplica a Deus. O Senhor é descrito como “o Santo de Israel”. Esse título aparece cerca de vinte e quatro vezes no livro do profeta Isaías (Is 10.20; 12.6; 17.7; 29.19; 30.11,12,15; 31.1; etc), aparecendo também em outras partes das Escrituras (2 Rs 19.22; Jó 6.10; Sl 71.22; 78.41; 89.18; Pv 9.10; 30.3; Jr 50.29; 51.5; Ez 39.7; Hc 1.12; 3.3), tal título indica entre outras coisas, o fato de Deus estar separado da criação e de estar elevado acima da mesma (At 17.24,25), como também alude ao contraste com os deuses falsos (Êx 15.11). Santidade é expressamente atribuída nas Escrituras, a cada pessoa da Trindade, ao Pai (Jo 17.11), ao Filho (At 4.30), e ao Espírito Santo (Sl 51.11; Is 63.10; Jo 14.26). O Senhor nos chamou para si, e uma vez que ele é Santo (Lv 11.44; Is 6.3; 1 Pd 1.15,16), devemos ser santos: “Como também nos elegeu nele [em Cristo] antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor” (Ef 1.14).

4.2 - A Salvação em Cristo Jesus (1 Pd 1.14,15). O apóstolo Pedro lembra a seus leitores de como eles viviam antes de crerem em Cristo: “[…] não vos conformando com as concupiscências que antes havia em vossa ignorância” (1 Pd 1.14) e destaca o que eles passaram a ser pela revelação da graça divina em suas vidas (1 Pd 1.13), por meio da fé em Deus (1 Pd 1.21), como Pedro declara (1 Pd 2.9,10). O fato de terem sido resgatados da vã maneira de viver (1 Pd 1.18), pelo precioso, imaculado e incontaminado sangue do Cordeiro, Jesus Cristo (1 Pd 1.18,19), tendo a purificação e regeneração pela ação do Espirito Santo por meio da Palavra (1 Pd 1.22,23). Portanto, a exigência divina é: “[…] como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos […]” (1 Pd 1.15). Lembrando ainda que: a santidade não é o meio para se
obter a salvação, mas, podemos afirmar que é a consequência dela.

4.3 - Característica do autêntico filho de Deus (1 Pd 1.17). A santidade é a marca característica de um verdadeiro servo de Deus, tanto no AT, pois, o caráter santo de Deus deveria ser refletido na vida de Israel (Lv 11.44; Nm 15.40), como no NT, onde nos é dito que a nossa santificação é a vontade direta e perfeita de Deus para nós (1 Ts 4.3). A afirmativa bíblica é que os salvos são filhos de Deus (Rm 8.16), sendo assim, temos aqui um argumento lógico e simples, os filhos herdam a natureza dos pais, logo, sendo Deus Santo, como seus filhos, devemos ter uma vida santa. Somos participantes da natureza divina e devemos revelar essa natureza em uma vida piedosa (2 Pd 1.4).

V – CARACTERÍSTICAS DE UMA VIDA SANTA
O sangue de Cristo (Hb 10.10,14; 13.12; 1Jo 1.7), o Espírito Santo (1 Co 6.11; 2 Ts 2.13; 1 Pd 1.1,2; Rm 15.16) e a Palavra de Deus (Sl 119.9; Jo 17.17; 15.3; Ef 5.26; Tg 1.23-25; 1 Pd 1.23), segundo Pearlman (2009, pp. 255,256 – acréscimo nosso), são meios divinamente estabelecidos para a santificação do homem, interna e externamente, demonstrada por algumas características, entre as quais, destacamos:

5.1 - Desprendimento (1 Pd 1.13-a). Os povos do oriente usavam túnicas longas, e quando desejavam andar mais rápido ou sem impedimento, prendiam a túnica com um cinto (Êx 12.11). A imagem é a de um homem que prende as pontas do manto a seu cinto, ficando livre, assim, para correr. Aos que desejam viver uma vida piedosa, devem se abster de tudo que sirva de atrapalho em sua caminhada: “[…] deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta” (Hb 12.1), evitando qualquer distração que impeça a sua conduta (2 Tm 2.4), ocupando a mente com o que de fato é puro (Fp 4.8).

5.2 - Obediência e reverência (1 Pd 1.14,17). Antes da conversão a Cristo o homem por natureza, é filho da desobediência (Ef 2.2). O apóstolo Pedro ressalta que agora, após a experiência da salvação, não podemos mais viver nas práticas do passado que determinavam o nosso modelo de vida (1 Pd 1.14,15), “não vos amoldeis” significa não entrar no esquema, no modelo. Originalmente, a palavra significava assumir a forma de alguma coisa, a partir de um molde de encaixe, os cristãos são chamados a “mudar de forma”, e a assumir o padrão de Deus (Rm 12.2), vivendo respectivamente de maneira reverente, ou seja, tendo a atitude de quem fala cada palavra, cumpre cada ação e vive cada momento consciente de Deus tendo consciência de que nossas atitudes serão julgadas pelo justo juiz (Dt 10.17; Rm 2.11; 1 Pd 4.17).

5.3 - Amor sincero (1 Pd 1.22). A vida santa também tem como marca a prática do amor sincero, e isto Pedro afirma como resultado da regeneração: “[…] amai-vos, de coração, uns aos outros ardentemente, pois fostes regenerados […]” (1 Pd 1.22,23 – ARA). Esse amor esperado é o que evidencia que passamos da morte para a vida (1 Jo 3.14), e caracteriza o verdadeiro discípulo de Jesus (Jo 13.35; ver Rm 12.9; 1 Jo 3.18). O amor é a marca do cristão, pois é a evidência mais eloquente da nossa salvação (LOPES, 2012, p. 58).

CONCLUSÃO
A Palavra de Deus, como regra de fé e prática do cristão, descreve os princípios divinos que direcionam e guiam a vida do verdadeiro servo de Deus, independente de sua cultura, status social e época. Para os que desejam agradar a Deus, devem entender a necessidade de ter como estilo de vida, a santidade.

REFERÊNCIAS
ANDRADE, Claudionor de. Dicionário Teológico. CPAD.
CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia. HAGNOS.
JONES, Landon. O Deus de Israel: na teologia do Antigo Testamento. HAGNOS.
LOPES, Hernandes dias. Comentário Expositivo 1 Pedro: Com os pés no vale e o coração no céu. HAGNOS.
PEARLMAN, Myer. Conhecendo as Doutrinas da Bíblia. VIDA.
WYCLIFFE. Dicionário Bíblico. CPAD.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

LIÇÃO 08 – A IGREJA DE CRISTO (1 Co 12.12-20,25-27) - 3º TRIMESTRE DE 2017

Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Pernambuco
Superintendência das Escolas Bíblicas Dominicais
Pastor Presidente: Aílton José Alves
Av. Cruz Cabugá, 29 - Santo Amaro - Recife-PE / CEP. 50.040.000 Fone: 3084.1524 / 3084.1543

LIÇÃO 08 – A IGREJA DE CRISTO - (1 Co 12.12-20,25-27)
3º TRIMESTRE DE 2017
INTRODUÇÃO
Nesta lição traremos a definição da palavra “Igreja”; analisaremos as prerrogativas dadas a ela; pontuaremos a diferença entre a Igreja invisível e a visível; estudaremos sobre suas ordenanças; veremos algumas concepções errôneas a respeito da igreja pontuando seus postulados heréticos refutando-os à luz da Bíblia Sagrada, e por fim, pontuaremos a sua tríplice missão.

I – DEFINIÇÃO DA PALAVRA IGREJA
Eclesiologia é a disciplina da Teologia que estuda a igreja, sua fundação, símbolos e missão, conforme as Escrituras. A Declaração de Fé das Assembleias de Deus (2017, p. 120) define que: “A palavra ‘igreja’ significa, literalmente, ‘chamados para fora’ e era usada para designar ‘assembleia’ ou ‘ajuntamento’ dos cidadãos de uma localidade na antiguidade grega”. O vocábulo igreja é formado por duas palavras gregas: pelo prefixo “ek”, “a partir de, dentro de” ou “para fora de”; e, “klesis”, que significa “chamada, convocação, convite”. Literalmente quer dizer “chamados para fora”. O termo ainda é usado para designar um “grupo local de cristãos” (Mt 18.17; At 5.11; Rm 16.1,5); ou a Igreja invisível à qual todos os servos de Cristo em todos os tempos estão ligados (At 9.31; 1Co 12.28; Ef 1.22). Podemos dizer que a Igreja do Senhor Jesus foi fundada durante o seu ministério (Mt 16.18), e inaugurada no dia de Pentecostes (At 2) (BERGSTÉN, 2005, p. 214).

II - DIFERENÇAS ENTRE A IGREJA INVISÍVEL E VISÍVEL
A Igreja é um organismo vivo invencível (Mt 16.18), santo, dinâmico e ligado à cabeça que é Cristo (Ef 1.22, 23). A igreja, portanto, vive em duas dimensões: espiritual e social. Vejamos a diferença entre elas:

2.1 - Igreja invisível. A igreja universal ou invisível consiste de todos os discípulos de Cristo quer estejam vivos ou mortos em todo o mundo e em todos os tempos. Algumas vezes a Bíblia usa a palavra “igreja” no sentido universal para falar de todo o povo que pertence a Cristo, não importa de onde ele possa ser. A Igreja invisível não é um edifício construído com blocos e cimento, mas, um edifício construído com pedras vivas (1Pd 2.5). Estas “pedras vivas” são chamadas os santos e membros da família de Deus (Ef 2.19-22). A Igreja invisível também é chamada de Igreja triunfante e neste aspecto ela é composta pelos salvos que “dormiram no Senhor” (1Ts 4.13,14). Ela já está com o Senhor, onde os brados de guerra se transformaram em cânticos triunfais (2Tm 4.8). Assim sendo, a Igreja triunfante (no céu) designa aqueles membros já falecidos que se encontram salvos, e que têm a alegria indescritível de estar no gozo celeste (Lc 16.22; Hb 1.14; Ap 21.4).

2.2 - Igreja visível. A igreja local ou visível consiste de cristãos que se reúnem num determinado lugar. Eles podem ser identificados e contados (At 2.41; 4.4; 8.1; 9.31; Rm 16.1,14,15; 1Co 16.19; Cl 4.15). Frequentemente, a palavra igreja é usada para descrever uma congregação local ou assembleia de santos em um determinado lugar geográfico: “[…] à igreja de Deus que está em Corinto […]” (1Co 1.2; Rm 16.5). A Igreja visível também é chamada de Igreja militante. A Igreja militante (na terra) designa os membros que vivem hoje sobre a terra, membros estes que lutam incansavelmente contra os poderes do diabo, do mundo e da própria carne: “Combati o bom combate […]” (2Tm 4.7 ver ainda 2Co 10.2-5; Gl 5.17; 1Ts 2.2; 1Pd 2.11). Ela está militando em uma guerra constante (2Tm 2.3-12; Ef 6.11,12; Fp 1.27, 30; Hb 10.32; 12.4). O apóstolo Paulo nos diz que: “Ninguém que milita (luta) se embaraça com negócios deste vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra. E, se alguém milita, não é coroado se não militar legitimamente” (2Tm 2.4,5). Na presente dispensação, a igreja militante é convocada para uma guerra (2Co 10.3), e de fato nela está empenhada (Ap 22.7). Na Igreja militante existe uma luta diária: “[…] Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida […]” (Ap 2.7); “Mas aquele que perseverar até ao fim, esse será salvo” (Mt 24.13; Mc 13.13). O apóstolo Paulo disse: “Milita a boa milícia da fé, toma posse da vida eterna, […]” (1Tm 6.12). Militar a boa milícia significa combater o bom combate. É suportar as aflições e sem ceder as tentações (1Tm 1.18-20, 4.8; Hb 10.32).

III – A IGREJA E AS ORDENANÇAS
Jesus deixou claro que seus discípulos deveriam além de ensinar, deveriam batizar e celebrar a Ceia do Senhor (Mt 28.19; 26.29). Estas duas ordenanças da Igreja: (batismo e ceia) só podem ser exercidas biblicamente em comunidades (congregações) organizadas como ensina a Bíblia Sagrada. Vejamos:

3.1 - O batismo como uma ordenança (Mt 28.19; Mc 16.16). Os discípulos saíram e pregaram por toda a parte, batizando em cumprimento à ordem recebida (Mc 16.20; At 2.41; 8.12; 10.47). Uma ordem dada pelo Senhor é realmente para ser cumprida (SI 119.4), pois a desobediência significa rejeição do conselho de Deus (Lc 7.29,30; Jo 14.21,23). Batizavam-se pessoas que se haviam arrependido (At 2.38), pessoas que de bom grado recebiam a Palavra (At 2.41; 8.12), os que criam em Jesus (Mc 16.16; At 8.12,37; 18.8: 16.33,34), pessoas que já eram discípulos (At 19.1-6). Observamos, assim, que não existe na Bíblia nenhum exemplo de batismo de crianças recém-nascidas (BERGSTÉN, 2016, p. 242).

3.2 - O batismo nos dias dos apóstolos. Os candidatos eram imersos totalmente nas águas: “Desceram ambos à água, tanto Filipe como o eunuco, e o batizou” (At 8.38). Sobre o batismo de Jesus, a Palavra afirma que Ele, depois do seu batismo: “saiu logo da água” (Mt 3.16). Era costume realizarem os batismos em Enom: “porque havia ali muitas águas” (Jo 3.23).

3.3 - O batismo e a forma trinitária. O batismo era sempre ministrado após a experiência da salvação, nunca antes. Ninguém era batizado para ser salvo mas porque já era salvo. Essa ordem de Jesus jamais foi revogada, portanto, ninguém tem o direito de desprezá-la (Mt 5.18,19). O batismo bíblico é: “em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28.19). Assim, torna-seimpossível afirmar, pelo que se lê em Atos 2.38; 8.16; 10.48 e 19.5, que os apóstolos batizavam apenas em nome de Jesus. Essas passagens significam apenas que os discípulos batizavam autorizados por Jesus (BERGSTÉN, 2016, p. 243).

3.4 - A santa ceia como uma ordenança (Mt 26.26,28; Mc 14.22; Lc 22.19; 1Co 10.16,17; 11.24-26). Podemos dizer que a ceia é:

a) um memorial: Lugar algum das Escrituras mencionam o pão e o vinho se tornando literalmente o corpo e o sangue do Senhor na hora em que o partilhamos. Pelo contrário, Jesus deixa claro o caráter simbólico: “fazei isto em memória de mim” (1Co 11.25);
b) um ritual de aliança: Para os judeus, o pão e vinho faziam parte de um ritual de aliança de sangue (Gn 14.18); por isso Jesus declarou na ceia que o cálice era a “aliança no seu sangue”;
c) um ritual de comunhão: No tempo apostólico, as ceias eram também chamadas de “ágapes” ou “festas de amor” (Jd 12), o que reflete parte de seu propósito, e,
d) um ritual de consequências espirituais: Participar da mesa do Senhor tem conseqüências espirituais; ou o cristão é abençoado ou é alvo do juízo (1Co 11.27-32; 10.16,17).

IV - CONCEPÇÕES ERRÔNEAS A RESPEITO DA IGREJA
4.1 - A Igreja não é os desigrejados. Na contemporaneidade tem surgido um movimento heterodoxo chamado de “desigrejados” que podemos definir este grupo como os “sem igreja”. Por motivos diversos, eles não são filiados a qualquer instituição convencional de culto religioso cristão e são contrários a qualquer tipo de liderança. Defendem que a fé cristã pode ser exercida fora da comunhão da Igreja com o seguinte lema: “Jesus, sim; Igreja, não” usando os seguintes textos (Mt 18.20; Ap 18.4). Posicionam-se contra as igrejas convencionais e suas lideranças. No entanto, o modelo bíblico mostra que:

a) a Bíblia ensina que a primeira igreja local foi iniciada pelos apóstolos (At 15.22,23);
b) existe a necessidade de uma igreja local organizada (1Co 14.33; Hb 10.25); e,
c) o Senhor colocou homens para administrar a sua Igreja (Êx 18.25,26; Ne 8.4-6; Jr 3.15; Hb 13.7; 1Ts 5.12; 1Tm 5.17; Ef 4.11-13 ver At 20.24,28, Jo 21.17; 1Co 12.27,28).

4.2 - A Igreja não é o Reino de Deus. Segundo Andrade (2006, p. 318), o Reino de Deus é o “cômputo de todas as bênçãos, promessas e alianças que o Todo Poderoso, de conformidade com os seus conselhos, destinou aos que recebem a Cristo Jesus. É o plano de Deus em ação, operando em favor dos que hão de herdar a vida eterna”. Portanto, a igreja, não é o Reino de Deus em sua plenitude, porém a sua expressão entre os homens. Como bem afirmou um respeitado erudito, “a Igreja não é senão o resultado da vinda do Reino de Deus ao mundo por intermédio da missão de Jesus Cristo”. Como igreja, ela não proclama a si mesma, e sim o Remo de Deus (At 14.22; 1Ts 2.12; Cl 1.13,14).

4.3 - A Igreja não é Israel. Alguns teóricos advogam à luz de Gálatas 6.16 que a Igreja substituiu Israel no plano de Deus o que chamam de “teologia da substituição”. Segundo eles “Deus transferiu para a Igreja todas as promessas de sua aliança com Israel, de modo que todas as promessas ainda não cumpridas serão concretizadas na Igreja” (LAHAYE, 2010, p. 372). No entanto, é preciso destacar que a Bíblia nunca afirmou tal coisa. Observa-se assim, que existem promessas de Deus exclusivamente para com a nação de Israel. Notemos:

a) aliança abraâmica: Diz respeito da terra e a descendência (Is 10.21,22; Jr 30.22; 32.38; Ez 34.24,30,31; Mq 7.19,20; Zc 13.9; Ml 3.16-18);
b) aliança davídica: Fala a respeito do rei, do trono e da casa real (Is 11.1,2; 55.3,11; Jr 23.5-8; 33.20-26; Ez 34.23-25; 37.23,24; Os 3.5; Mq 4.7,8); e,
c) aliança palestina: Trata-se da ocupação da terra prometida (Is 11.11,12; 65.9; Ez 16.60-63; 36.28,29; 39.28; Os 1.10-2.1; Mq 2.12; Zc 10.6).

V – A IGREJA E A SUA TRÍPLICE MISSÃO
5.1 - Em relação a Deus (Adoração). Aqui está o papel número um do povo de Deus: oferecer-lhe sacrifícios vivos e agradáveis: “também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo” (1Pd 2.5). É no desempenho de seu papel adorador que a Igreja encontra sua missão em nível de maior transcendência. A Igreja executa o seu verdadeiro sacerdócio quando ela entra nos Santo dos Santos a fim de ministrar à santidade e à majestade do Criador (Jo 4.24).

5.2 - Em relação ao mundo (Evangelização). Em se tratando especificamente da evangelização, há cinco textos onde o Senhor Jesus comissiona seus discípulos para esta sublime tarefa, são eles: (Mt 28.18-20; Mc 16.15-20; Lc 24.46-49; Jo 20.21,22 e At 1.8). Esta missão que tem por objetivo proclamar o evangelho, seguida da mensagem de fé e arrependimento visando o homem em sua plenitude. Ela representa a responsabilidade da Igreja em promover o reino de Deus em meio à sociedade. Acerca dessa tarefa podemos asseverar que a igreja:

(a) existe para evangelizar;
(b) é ordenada a evangelizar (Mt 28.19; Mc 16.15);
(c) se realiza evangelizando (At 4.20; 5.40-42); e,
(d) só pode continuar a existir se evangelizar (At 2.41; 4.4; 5.14,42).

5.3 - Em relação a si mesma (Comunhão). Uma marca de suma importância entre o povo de Deus é a marca relacional (At 2.44- 47). O NT usa a palavra “koinonia” para expressar a maneira como os cristãos se relacionam uns com os outros. Viver esse amor uns para com os outros, nos caracteriza como verdadeiros filhos de Deus e é evidência de que nascemos de novo, uma vez que ser cristão é buscar vivenciar e manifestar o caráter do Salvador enquanto andamos juntos (1Jo 4.7-11).

CONCLUSÃO
Concluímos que a Igreja é o ajuntamento dos santos de todos os tempos e lugares, aqueles que professaram sua fé em Cristo, ela é tanto local (visível) como também universal (invisível). Por fim, vimos que a Igreja como povo de Deus não se encaixa em alguns modelos contemporâneos e heréticos, pois como povo eleito deve viver em comunidade desfrutando da comunhão como os santos como ensina a Bíblia submetendo-se a liderança constituída por Deus.

REFERÊNCIAS
BERGSTÉN, E. Teologia Sistemática. CPAD.
SILVA, Esequias Soares da (Org.). Declaração de Fé das Assembleias de Deus. CPAD.

STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

LIÇÃO 07 – A NECESSIDADE DO NOVO NASCIMENTO (Jo 3.1-12) 3º TRIMESTRE DE 2017

Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Pernambuco
Superintendência das Escolas Bíblicas Dominicais
Pastor Presidente: Aílton José Alves
Av. Cruz Cabugá, 29 - Santo Amaro - Recife-PE / CEP. 50.040.000 Fone: 3084.1524 / 3084.1543

LIÇÃO 07 – A NECESSIDADE DO NOVO NASCIMENTO (Jo 3.1-12)
3º TRIMESTRE DE 2017

INTRODUÇÃO
Nesta lição definiremos o termo bíblico “novo nascimento”; destacaremos porque se faz necessário que o pecador seja regenerado; pontuaremos que este ato espiritual só pode ser experimentado por meio da Palavra de Deus e da ação do Espírito Santo; e, por fim, elencaremos alguns resultados práticos na vida daquele que teve esta experiência.

I – O QUE É O NOVO NASCIMENTO
Teologicamente o “novo nascimento” ou “regeneração” é “o milagre que se dá na vida de quem aceita a Cristo, tornando-o participante da vida e da natureza divinas. Através da regeneração o homem passa a desfrutar de um nova realidade espiritual” (ANDRADE, 2006, p. 317 – acréscimo nosso). A palavra regeneração no grego é “palinginesia” formada da expressão “pálin”, 'novamente', e “génesis”, 'nascimento', significa portanto: “novo nascimento”. O Pastor Eurico Bergstén (2016, p. 174) diz que “a regeneração ou novo nascimento significa o ato sobrenatural em que o homem é gerado por Deus (1 Jo 5.18) para ser seu filho (Jo 1.12) e participante da natureza divina (2 Pe 1.4)”. A doutrina da regeneração é bíblica e foi ensinada por Jesus e pelos seus santos apóstolos (Jo 3.3,7; 2 Co 5.17; Gl 6.15; Jo 1.12.13; Ef 2.1,5; Cl 2.13; Tt 3.5; Tg 1.18; 1 Pe 1.23). A Bíblia destaca algumas verdades sobre isso. Vejamos:

1.1 - Um ato espiritual. A desobediência humana recebeu como sentença a morte, tanto física quanto espiritual (Gn 2.16,17; Ez 18.4; Rm 6.23; Ef 2.1,5). Essa morte espiritual implica na separação da presença de Deus (Rm 3.23). Portanto, “morto espiritualmente” o homem necessita “nascer de novo” espiritualmente para ter comunhão com Deus. Por isso, no discurso de Jesus com Nicodemos o Mestre lhe diz: “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (Jo 3.5). Segundo Beacon (2006, p. 49 – acréscimo nosso) a palavra traduzida como “de novo” é “anothen”, que tem vários significados e um deles é: “de cima”. Acerca disso Wilmington (2015, pp. 362,363) diz que: “o Messias estaria, então, dizendo que o único requisito para viver nesta terra é ter um nascimento físico; igualmente, o único requisito para viver um dia nos céus é ter um nascimento espiritual”. Esse “nascer do Espírito” em nada tem a ver com a reencarnação, que é um ensinamento que não encontra apoio nas Escrituras (2 Sm 12.21-23; Hb 9.27). Aliás, Nicodemos perguntou se a regeneração era vir de novo a vida fisicamente, voltando ao ventre materno (Jo 3.4). Jesus respondeu dizendo “o que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito” (Jo 3.6).

1.2 - Um ato interior. Os profetas predisseram este ato sobrenatural (Dt 30.6; Jr 24.7; Ez 11.19; 36.26,27). Embora o Antigo Testamento tenha em vista a nação de Israel, a Bíblia emprega várias figuras de linguagem para descrever o que acontece no novo nascimento. Nestas passagens bíblicas o novo nascimento é comparado a uma “cirurgia interior”. Deixando claro que a regeneração é um ato divino operado pelo Espírito Santo no espírito do homem. Segundo Macgrath (2010, p. 525) “a regeneração altera a natureza interior do pecador”.

1.3 - Um ato instantâneo e distinto. Diferente da santificação que é um processo, a regeneração é um ato instantâneo. A palavra “instantâneo” segundo o Aurélio significa: “que se dá num instante; rápido; súbito” (2004, p. 1113). O apóstolo Paulo nos diz: “assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é [...]” (2 Co 5.17). É bom destacar também que a regeneração é uma etapa da salvação distinta da justificação, da santificação e da glorificação. A ordem segue-se assim: primeiro “o pecador é declarado justo” (justificação); em seguida “ele é feito justo” (regeneração); depois “ele vai se tornando justo” (santificação); e, por fim, ele “será perfeitamente justo” (glorificação).

II – A NECESSIDADE DO NOVO NASCIMENTO
Deus criou os seres humanos em um estado de perfeição: “Deus fez ao homem reto” (Ec 7.29-a). Uma das perfeições que Deus concedeu ao homem foi o poder do livre arbítrio (Gn 2.16). O primeiro casal fez uso da liberdade que desobedecer a Deus (Gn 3.1-6). O que seguiu-se a este mau uso da liberdade humana foi um estado de pecaminosidade, do qual não podemos escapar e reverter sem o auxílio divino. Dentre as consequências que o pecado trouxe ao homem, a principal delas, foi a morte espiritual (Gn 2.16,17; 3.2,3; Rm 6.23). A morte espiritual é a separação espiritual de Deus (Is 59.2). Como toda a humanidade estava representada em Adão, quando ele caiu em transgressão, também toda a humanidade caiu com ele. O apóstolo Paulo deixa isso bem claro quando assevera: “por um homem entrou o pecado [...] por isso que todos pecaram” (Rm 5.12). Confira também: (Rm 2.10-12; 3.23; 5.13-16). Geisler (2010, p. 104) acrescenta dizendo: “todo descendente de Adão — toda pessoa nascida de pais naturais desde o tempo da Queda — também está espiritualmente morto”. Diante de tal situação espiritual de morte, faz-se necessário o homem nascer espiritualmente de novo. Portanto, a regeneração é um imperativo (Jo 3.3,5).

2.1 - Sem o novo nascimento o homem permanece morto espiritualmente. Paulo diz que o homem não regenerado “está morto em delitos e pecados” (Ef 2.1,5). Vale salientar que essa “morte” não é a incapacidade de corresponder ao chamado de Deus, mas a separação espiritual da presença dEle (Rm 3.23). Paulo disse que o homem nessa condição não compreende as coisas de Deus (1 Co 2.14). O pecador só pode ser vivificado, quando exposto a pregação da Palavra que ilumina o seu entendimento (Ef 1.18; 6.4; 2 Co 6.4), até então obscurecido pelo pecado (Ef 4.18) e pelo diabo (2 Co 4.4). No entanto, mesmo sendo iluminado, a pessoa pode optar por aceitar ou rejeitar o plano da salvação (Mt 16.24; Jo 7.37; Ap 22.17).

2.2 - Sem o novo nascimento, o homem não tem acesso ao Reino de Deus. Por melhor que seja uma pessoa, ela não pode produzir sua salvação (Is 64.6; Tt 3.5). Jesus declarou ao religioso Nicodemos três vezes que “é necessário nascer de novo” (Jo 3.3,5,7). Moody (sd, p. 18) diz que esta “não é simplesmente uma exigência pessoal, mas universal”. Segundo o Mestre, o novo nascimento é necessário porque:

(a) sem ele o homem não pode ver o Reino de Deus (Jo 3.3); e,
(b) tampouco entrar nele (Jo 3.5).

O homem do jeito que está não pode ter acesso ao Reino de Deus, pois é “filho da ira por natureza” (Ef 2.3); e andando na carne não pode agradar a Deus (Rm 8.8). Somente quando nasce de novo, este homem é criado em verdadeira justiça e santidade requeridas por Deus para que tenha acesso ao Reino (Ef 4.24).

III – COMO SE DÁ O NOVO NASCIMENTO
O novo nascimento não é produzido pelo próprio homem, nem pela religião, centros de ressocialização ou qualquer outro meio terreno. Abaixo destacaremos os meios pelos quais o homem pode ser regenerado:

3.1 - Pela Palavra de Deus. O Mestre Jesus ensinou que o novo nascimento é operado através da Palavra de Deus “Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água [...], não pode entrar no reino de Deus” (Jo 3.5). A água de que fala o Senhor é meramente um símbolo de purificação, como ensinava o AT. Logo, esta água aqui é símbolo da Palavra (Jo 15.3; Ef 5.26) e não as águas do batismo. O batismo em si não pode lavar pecados nem regenerar o pecador. Na verdade a Palavra de Deus é a divina semente (1 Pe 1.23) e o agente purificador (Jo 15.3; 17.17). Quando ela é aplicada em nosso coração pelo Espírito Santo, acontece o milagre do novo nascimento. É o que Tiago nos diz: “[...] ele nos gerou pela palavra da verdade [...]” (Tg 1.18). A expressão “palavra da verdade” refere-se ao Evangelho (2 Co 6.7; Cl 1.5; 2 Tm 2.15). Normalmente no NT, o vocábulo “palavra” indica a mensagem cristã. O uso mais comum é “palavra de Deus” (At 6.2; 8.14; 13.46; Rm 9.6; 1 Co 14.36; Ef 6.17; 2 Tm 2.9).

3.2 - Pelo Espírito Santo. A regeneração é mencionada nas Escrituras como uma ação do Espírito. No AT os profetas falaram dessa atividade do Espírito Santo (Is 32.15; Ez 36.27; 37.14; 39.29; Zc 12.10). Jesus disse a Nicodemos que o homem precisa “nascer da água e do Espírito” (Jo 3.5). O apóstolo Paulo também ensinou isto (Ef 4.24; Tt 3.5). O Espírito Santo esteve presente na criação do homem (Gn 2.7; Jó 33.4); de igual modo está presente na recriação deste homem (Jo 3.5; 20.22). A menção ao vento, aludindo a atividade do Espírito mostra que se trata de algo sobrenatural (Jo 3.8). Veja também (Ez 37.9; At 2.2). Zuck (2008, p. 220) é categórico ao afirmar que “alcança-se a regeneração apenas por intermédio da obra do Espírito Santo, não por meio de qualquer esforço humano”.

IV – RESULTADOS DO NOVO NASCIMENTO
Embora a regeneração seja um ato interno, esta mudança interior, gera uma notável e visível mudança exterior. Acerca disso afirmou Pastor Antônio Gilberto (2008, p. 186): “o novo nascimento abrange a regeneração e a conversão, que são dois lados de uma só realidade. Enquanto a regeneração enfatiza o nosso interior, a conversão, o nosso exterior. Quem diz ser nascido de novo deve demonstrar isso no seu dia-a-dia”. Vejamos alguns resultados do novo nascimento, segundo a Bíblia Sagrada:

a) O crente agora é nova criatura em Cristo e tudo se fez novo (2 Co 5.17);
b) O crente agora pratica atos de justiça (1 Jo 2.29);
c) O crente já não pratica o pecado como estilo de vida (1 Jo 3.9; 5.18);
d) O crente agora ama a Deus e ao homem (1 Jo 4.7; 5.18);
e) O crente agora afirma corretamente a divindade de Jesus Cristo (1 Jo 5.1);
f) O crente agora é protegido contra o maligno (1 Jo 5.18);
g) O crente agora pode vencer este mundo perverso (1 Jo 5.4).

CONCLUSÃO
O pecado atingiu o homem e o destituiu da glória de Deus. Todavia, Deus tomou a iniciativa de restaurar a comunhão outrora perdida com o homem, através do evangelho, que iluminando o entendimento humano, pode vivificá-lo, transformar o seu interior e levá-lo a ser participante da natureza divina.

REFERÊNCIAS
ANDRADE, Claudionor de. Dicionário Teológico. CPAD.
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. POSITIVO.
GEISLER, Norman. Teologia Sistemática. CPAD.
GILBERTO, Antonio, et al. Teologia Sistemática Pentecostal. CPAD.
MCGRATH, Alister E. Teologia sistemática, Histórica e Filosófica. SHEDD.
MOODY, D. L. Comentário Bíblico de João. PDF.
STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

Traduza Aqui, gostou do Blog divulgue, Leia a Biblia